Dados de um estudo revelam que 12,3por cento da população idosa portuguesa já foi vítima de vários tipos de actos violentos em contexto familiar. Os resultados do «Estudo populacional sobre a violência» estão a ser debatidos na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Foram avaliados cinco tipos de violência: física, psicológica, financeira, sexual e negligência. Destacam-se a violência financeira e a violência psicológica, com cerca de 160 mil pessoas que dizem ter sido vítimas de um destes dois tipos.

A violência física afecta 58 mil dos inquiridos. Actos de violência sexual são os menos frequentes por entre a faixa etária avaliada.

Também os agressores fizeram parte da avaliação. A violência financeira é provocada por descendentes. Filhos, enteados e netos são os principais responsáveis por este tipo de agressões.

Mais de metade das condutas de violência física são da responsabilidade de cônjugues e de atuais ou ex-companheiros.

O estudo que faz parte do Projeto Envelhecimento e Violência 2011-2014 revela que apenas um terço do total de vítimas denunciou ou apresentou qualquer queixa. Quando procuram ajuda, a maioria recorre às forças de segurança (PSP ou GNR). As denúncias a familiares, amigos ou profissionais de saúde ocorre com menor frequência.

O mesmo projeto realizou um outro estudo para caracterizar as ocorrências e traçar o perfil das vítimas e agressores. Os cônjugues, atuais ou ex-companheiros, filhos e enteados são os que cometem a maior parte dos crimes.

Segundo os autores da investigação, as vítimas não denunciam por motivos familiares. Os laços afetivos, a proteção dos parentes e o medo de represálias são «razões fortes» para silenciar as vítimas, que ainda vêem a denúncia como tabu. «É importante dar visibilidade social ao problema, que, para além de constituir um problema social com impactos na saúde, é entendido também como uma violação grave dos direitos humanos», explicam à Lusa.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, o Instituto da Segurança Social, o Instituto Nacional de Medicina Legal e a GNR são parceiras do projeto.