A esmagadora maioria das crianças e jovens delinquentes apresenta perturbações mentais que se traduzem em comportamentos agressivos e antissociais. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade de Coimbra, em parceria com a Direção-Geral de Serviços Prisionais, que refere ser urgente implementar medidas de intervenção em saúde mental no Sistema de Justiça Juvenil.

Cofinanciado pela Comissão Europeia, o estudo acompanhou 217 jovens agressores condenados a internamento em Centros Educativos e de Acompanhamento Educativo na Comunidade. Têm todos entre 14 e 21 anos.

As conclusões dos investigadores da universidade de Coimbra impressionam: 91,2% dos jovens receberam pelo menos um diagnóstico psiquiátrico, sendo as perturbações disruptivas do comportamento as mais frequentes (84,7%). Estas perturbações disruptivas traduzem-se em atitudes de desafio e desobediência repetidas, envolvimento em grupos marginais, agressão a pessoas e animais e comportamento agressivo e antissocial, entre outros

Depois da conclusão, os investigadores selecionaram um grupo de 17 jovens para testar um programa de psicoterapia adequado às necessidades em saúde mental dos jovens delinquentes.

Os primeiros resultados obtidos com os jovens envolvidos neste programa pioneiro são apresentados durante o seminário «Justiça Juvenil e Saúde Mental», que decorre estas quinta e sexta-feira, no auditório do ISCTE ¿ Instituto Universitário de Lisboa.