A Universidade Lusófona vem desmentir «categoricamente» a intenção de processar judicialmente os familiares dos seis estudantes que morreram no Meco, conforme informação avançada à agência Lusa pelo administrador desta unidade privada de ensino, Manuel Damásio.

«Confrontada com informações envolvendo a sua suposta intenção de processar judicialmente alguns dos familiares dos seus alunos infelizmente desaparecidos na recente tragédia ocorrida na praia do Meco, a Universidade Lusófona vem categoricamente desmentir qualquer intenção dessa natureza e reiterar a sua disponibilidade para que naquilo que realmente lhe possa dizer respeito colaborar em todas as fases deste processo» - refere o e-mail da universidade enviado à TVI, em cujo anexo um comunicado apela a «todos os envolvidos» no processo relacionado com a morte de seis alunos da instituição na praia do Meco que deixem de «forma responsável atuar as entidades competentes».

O apelo surge um dia depois de a mãe de uma das vítimas ter anunciado que os pais decidiram apresentar uma «queixa-crime contra o sobrevivente, João Gouveia, algumas entidades e incertos», enquanto o advogado precisou que a queixa se estende também à Universidade Lusófona.

«Confrontada ao longo das últimas horas com um conjunto de informações relativas a uma queixa judicial envolvendo o nome da Universidade», a instituição vem «confirmar mais uma vez o seu empenho na defesa dos interesses dos seus alunos passados, presentes e futuros e apelar a que todos os envolvidos no processo deixem de forma responsável atuar as entidades competentes em ordem a aclarar o que haja a aclarar, para que, com seriedade e dignidade, se possa contribuir para mitigar uma dor que a muitos atingiu», refere o comunicado.

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A Universidade adianta também que «não emitirá mais quaisquer declarações, nem se deixará arrastar para um campo de conflitualidade que em nada respeita a memória daqueles que perderam a vida, mantendo-se a instituição serena e completamente disponível para colaborar com todas as entidades competentes em ordem à apresentação de quaisquer esclarecimentos que lhes sejam solicitados».

A mãe de uma das vítimas disse na sexta-feira à agência Lusa que os pais dos seis jovens vão apresentar uma «queixa-crime contra o sobrevivente, João Gouveia, algumas entidades e incertos».

Em declarações ao jornal Público e à rádio TSF, o advogado das famílias, Vítor Parente Ribeiro, adiantou que também será apresentada, na próxima semana, uma queixa-crime contra a Universidade Lusófona, onde os jovens estudavam.

Hoje, em declarações à Lusa, o administrador da Universidade Lusófona, Manuel Damásio, admitiu que poderá avançar com uma queixa por calúnia, caso a anunciada queixa-crime dos familiares dos estudantes que morreram na Praia do Meco seja «caluniosa ou ofensiva» para a instituição.

Os seis jovens que morreram no Meco, no dia 15 de dezembro, faziam parte de um grupo de estudantes universitários que tinham alugado uma casa na zona para passar o fim de semana e só um deles saiu vivo da praia.

Notícia atualizada