O pai de Tiago Campos, um dos seis jovens da Universidade Lusófona que morreu no Meco disse, este domingo, na TVI, que, «doa a quem doer», pretende ir «até onde for preciso», incluindo o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, para «saber a verdade» sobre o que se passou na noite de 15 de dezembro de 2013.

A queixa-crime contra o dux João Gouveia e Universidade Lusófona, anunciada pelos pais das vítimas, será formalizada na próxima semana ou no início da seguinte, revelou.

Entrevistado no «Jornal das 8», José Carlos Campos acusa a Universidade Lusófona de ter aconselhado o único sobrevivente da tragédia a manter-se em silêncio. «Penso que João Gouveia remeteu-se ao silêncio a mando da Universidade Lusófona», declarou.

«A Universidade Lusófona, até hoje, não nos fez um telefonema, a ver se era preciso um psicólogo para nós pais, familiares. Só ouviram o João Gouveia e uma das pessoas que o acompanhou foi da universidade, o senhor Carlos Poiares».

Em contato telefónico posterior com a TVI, o vice-reitor da Universidade Lusófona e psicólogo, Carlos Poiares, esclareceu que já não é ele, mas sim «um colega» que acompanha o dux João Gouveia.

«Até para fazerem a missa [os órgãos da universidade] mandaram uma carta registada. Não sei qual é o fundamento da carta registada», interroga-se.

As dúvidas dos pais

«A cada dia que passa, o silêncio vai-nos destruindo mais, as nossas vidas [...] A gente o que quer é saber a verdade de João Gouveia».

Em nome dos pais dos seis jovens que morreram, José Carlos Campos apenas pede ao único sobrevivente da tragédia que «fale a verdade» e «conte tudo de viva voz». «Se foi um acidente, como ele diz, quem não deve, não teme. E estamos à espera».

O pai de Tiago Campos não vai contra a tese de que se tratou de um acidente, mas tem dúvidas sobre algumas circunstâncias. «Estamos cientes que aquilo foi um acidente, estamos à espera que o João fale para podermos confrontá-lo com algumas situações». Apesar de não avançar muito sobre as suas suspeitas, revela que há detalhes que não batem certo em toda esta história. Por exemplo, o facto de ter estado alguém a arrumar a casa que o grupo tinha alugado no Meco quando o sobrevivente João Gouveia se encontrava no hospital. «Quem? Não se sabe...», sublinha.

José Carlos Campos tem também dúvidas sobre o número de pessoas que esteve no Meco na noite fatídica. O pai de Tiago diz ter provas de que «alguns que se diziam tão amigos foram ao funeral com segundas intenções» - uma prova que não quis avançar à jornalista Judite Sousa.

Tiago era um ídolo»

«O Tiago foi praxado, fez praxes, ele gostava daquilo que fazia, mas naquele fim de semana ia combinar as praxes para este ano e não para ser praxado, como várias pessoas viram. Havia uma segunda reunião, que era para ser este mês, também para combinarem as praxes para este ano». José Carlos Campos não tem dúvidas ao afirmar que naquele fim de semana, no Meco, «não houve preparação nenhuma, eles foram praxados».

Apesar de já ter terminado o seu curso universitário na Lusófona, na área da Comunicação, Tiago «gostava muito da universidade».

Na véspera do fim de semana fatídico, saiu de casa bem disposto, alegre por estar em conjunto e conviver com os colegas. «Era um miúdo cinco estrelas, o ídolo da família» A maior angústia José Carlos foi «não poder lá estar para ajudá-lo». «Preferia ter sido eu a ir», confessa, desalentado, pai agora de apenas uma menina com 16 anos.

Descrito pelo pai como um jovem «otimista», Tiago, recém licenciado, encontrava-se a trabalhar com o avô enquanto não encontrava um emprego na área do seu curso. O pai não tem dúvidas de que «ia vingar na vida».