O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, afirmou esta segunda-feira que o inquérito aos fogos que estiveram na origem da morte de oito bombeiros não é «nenhuma caça às bruxas».

«Não se está aqui a fazer nenhuma caça às bruxas, não se está a fazer nenhum processo com o intuito de responsabilizar, culpabilizar quem quer que seja», garantiu Miguel Macedo, na Póvoa de Lanhoso, à margem da cerimónia de assinatura de um protocolo para obras de remodelação do quartel da GNR local.

Para o governante, o importante é apurar e aprender com tudo o que se passou, retirando daí «as consequências, organizativas e outras, que se devem retirar».

«Temos todos, tutela, Proteção Civil, bombeiros, de aprender com isto, é o dever de primeiro fazermos tudo para evitar que as coisas se possam repetir», sublinhou.

Alguns órgãos de comunicação social divulgaram este fim de semana dados preliminares de um inquérito aos fogos pedido pelo Governo, segundo os quais os bombeiros negligenciaram a forma de atuação, ao violarem regras de segurança, em sete dos oito casos mortais nos incêndios ocorridos no verão.

Lembrando que se trata apenas de um relatório preliminar, Miguel Macedo escusou-se a comentá-lo, por estarem em causa «questões muito sérias, cujo apuramento não se pode fazer com ligeireza».

«Não vou cometer o pecado de tirar conclusões definitivas de um relatório que é preliminar e que é uma parte da avaliação que se está a fazer daquilo que se passou», referiu.

Destacou que aquela «não é a única avaliação», já que aquelas questões estão também sob a alçada da Inspeção Geral da Administração Interna, da Polícia Judiciária e do Ministério Público, e acrescentou que é preciso fazer uma avaliação caso a caso, porque cada um dos incidentes teve contornos, circunstâncias e atuações diferenciadas.

«Nestas matérias, sobretudo pelas consequências dramáticas que tiveram, devemos todos fazer um esforço de rigor, de exigência, de apuramento de todos os factos que relevam para esta matéria, sobretudo para que o está ou esteve mal se possa corrigir, para que todos possamos aprender com isto», enfatizou Miguel Macedo.

O ministro avançou também que «está já em curso um conjunto de alterações importantes na escola de bombeiros, com uma formatação diferente da formação dos bombeiros», que se pretende «mais próxima das corporações».