Os helicópteros Kamov de combate a incêndios florestais estiveram inoperacionais durante 2.318 horas, no verão, o que causou «constrangimentos significativos», disse esta terça-feira o comandante do Comando Nacional de Operações de Socorro (CNOS).

Este número foi avançado por José Manuel Moura, comandante do CNOS, durante a avaliação da última época de incêndios, realizada pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

As 2.318 horas de inoperacionalidade dizem respeito aos cinco helicópteros Kamov do Estado, existindo ainda um sexto aparelho pesado que está sem funcionar desde o verão de 2012, devido a um acidente durante o combate a um incêndio.

No final da cerimónia, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, disse aos jornalistas que ficou surpreendido com o elevado número de horas de inoperacionalidade registado este ano, tendo já sido dadas instruções para que o Estado seja ressarcido, nos termos do contrato.

«A operação e manutenção estão atribuídas, há vários anos, a entidades privadas, aquilo que fizemos foi dar instruções no sentido de o Estado ser ressarcido pela não realização de um serviço que estava contratado nas margens da tolerância, que está também prevista contratualmente», afirmou.

Miguel Macedo disse ainda que a situação do helicóptero Kamov que teve um acidente no verão de 2012 ainda não está resolvida.

A ANPC fez uma avaliação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) de 2013, que este ano ficou marcada pela morte de nove pessoas e a maior área ardida dos últimos oito anos, totalizando 145 mil hectares.

O mês de agosto, particularmente a última quinzena, foi o mais devastador, tendo as chamas consumido 89.834 hectares de floresta e provocado a morte a oito bombeiros e a um autarca.

«A avaliação do DECIF 2013, qualquer que seja a sua perspetiva, ficará dramaticamente marcada pela morte dos oito bombeiros», disse o comando do CNOS, na cerimónia.

José Manuel Moura adiantou que 90 por cento da área ardida se concentrou nos distritos de Viana do Castelo, Viseu, Vila Real, Guarda, Braga, Porto e Bragança.

O maior incêndio do ano ocorreu no concelho de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, em julho, e consumiu uma área de 14.136 hectares, dos quais cerca de 13.706 eram espaços florestais, indica o mesmo documento.

Além do fogo no distrito de Bragança, registaram-se este ano mais 194 grandes incêndios.

Da lista dos grandes incêndios fazem também parte os fogos que deflagraram na serra do Caramulo que, na zona de Tondela, consumiram 6.841 hectares e, no concelho de Tarouca, uma área de 6.026 hectares, numa síntese da Lusa.