A GNR garante que «tentou tudo» para que fosse outro o desfecho do sequestro num restaurante do Pinhal Novo, em Palmela, que terminou com a morte do próprio sequestrador e de um jovem militar da GNR.

Duas pessoas morreram e seis ficaram feridas em sequestro num restaurante.

O tenente-coronel do comando territorial da GNR fez este domingo, na TVI24, o relato da operação «muito complexa» que teve lugar durante a noite de sábado e madrugada de domingo num estabelecimento perto de Setúbal.

O militar não escondeu a emoção pela morte do colega. A morte de um «camarada é sempre pesado», disse o oficial da Guarda que «lamentou que o sequestrador não tenha acatado» as ordens das autoridades «durante as longas horas de negociação».

«Foram mobilizados todos os meios do comando territorial de Setúbal de imediato» e «criado um perímetro de segurança», para além da «evacuação de várias residências».

Jorge Goulão frisou que se tratou de uma «situação atípica» e com «características de tão elevada violência», mas «tentámos tudo», explicou, afirmando que foram «seis longas horas» de «negociação direta e indireta» em que inclusive houve o recurso a um amigo do sequestrador.

«Foram feitas negociações através de uma pessoa da sua confiança para ele se entregar e para aquilo que nos preocupava: tínhamos um militar ferido, não tínhamos um militar falecido».

Na verdade, a informação inicial dava conta de «desacatos no restaurante». Após a chamada para o 112, «a primeira patrulha que chega ao local e está a tentar esclarecer a situação», mas, «de imediato, logo à entrada do restaurante, o primeiro militar da GNR é baleado».

Depois, «quando a patrulha está a chegar e as pessoas a saírem», o homem lança uma granada para o exterior».

«Havia um grande problema: o individuo tinha granadas e dispositivos artesanais», explicou Jorge Goulão e, pelas cinco da madrugada, as diversas equipas especializadas presentes chegaram à conclusão de que «o indivíduo não se iria render» e avançaram para o restaurante.

O sequestrador acabou por ser abatido e os militares depararam-se com o colega morto. «Estava há cerca de três anos» na Guarda. E a voz do militar embargou-se.