O Tribunal Judicial de Braga condenou, esta quinta-feira, a três anos e três meses de prisão efetiva um «falso padre» acusado de furto de arte sacra numa igreja daquela cidade e de burla ao respetivo reitor.

O arguido foi condenado pelos crimes de furto qualificado e de burla qualificada, em ambos os casos agravados pelos elevados montantes em causa. No caso do furto, o crime é ainda agravado pelo facto de se tratar de imagens de arte sacra subtraídas de uma igreja.

O tribunal justificou a prisão efetiva pelos «vários» antecedentes criminais do arguido, que soma condenações por burla informática, burla qualificada, condução ilegal e usurpação de funções.

Este último crime está relacionado com o facto de o arguido se ter feito passar por padre, tendo presidido a vários atos religiosos um pouco por todo o país, incluindo um casamento na Sé de Braga.

O juiz presidente do coletivo que julgou o processo de Braga sublinhou que o arguido «não revelou qualquer arrependimento», demonstrando que não consegue interiorizar a ilicitude da sua conduta.

O tribunal considerou provado que o arguido, Agostinho Caridade, furtou, em março de 2013, duas imagens da igreja de Senhora-a-Branca, naquela cidade, avaliadas em 7.500 euros.

Tentou depois vender as imagens numa casa da especialidade em Braga, mas a gerência desconfiou e chamou a polícia.

Agostinho Caridade pôs-se em fuga, deixando as imagens no local.

Antes disso, em meados de 2012, Agostinho Caridade, de 41 anos e natural de Aguiar, Barcelos, promoveu um peditório público em vários locais de Braga, como igrejas, para o alegado tratamento de um filho seu em Cuba.

Apresentando-se como Vítor Silva, maquinista da CP, foi conquistando a confiança de párocos e sacristães, nomeadamente na Igreja de Senhora-a-Branca.

Em julho desse mesmo ano, e também para o alegado tratamento do filho, pediu 7.200 euros emprestados ao reitor dessa igreja, que «condoído» lhe passou dois cheques, totalizando aquele valor.

Como os cheques eram cruzados, o que obrigava ao seu depósito, o arguido foi a uma loja de cópias pedir que lhos assinassem, conseguindo assim que o banco efetuasse o respetivo pagamento.

Agostinho Caridade, que em tribunal se apresentou como sendo «chefe de cozinha», negou a prática dos factos, queixando-se de estar a ser alvo de uma «cabala» por parte da comunicação social.

Ainda não devolveu o dinheiro que pediu emprestado ao reitor, mas garantiu que tem uma conta poupança-reforma na Alemanha e que está a tentar que o banco o autorize a movimentá-la.

Garantiu que não furtou as imagens, assegurando que elas estavam em sua posse porque trabalharia já há alguns anos como «intermediário» de um presumível comerciante de arte sacra, do qual apenas sabe que se chama «Carlos».

Disse que, na altura, fugiu do local porque ficou «atrapalhado e envergonhado».

Em maio, a Polícia Judiciária deteve-o, em Lisboa, apresentando-o como suspeito da prática dos crimes de furto de obras de arte e bens culturais religiosos, burla, falsificação de documentos e usurpação de funções.

Fazendo-se passar por padre, Caridade já presidiu a várias cerimónias religiosas um pouco por todo o país, incluindo um casamento na Sé de Braga.