Um retrato de «um longo trabalho de 30 anos», o testemunho de professores e uma sala repleta de alunos e funcionários marcaram os 12 minutos de protesto contra o ministro Nuno Crato, na Escola Superior de Educação de Santarém.

Com início às 16:00, a mesma hora em que em todas as escolas superiores de educação do país as atividades letivas pararam durante 12 minutos (o tempo que durou a entrevista em que o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, proferiu declarações sobre a qualidade dos licenciados destas escolas), membros dos órgãos diretivos da escola de Santarém juntaram-se no auditório com a comunidade académica, para mostrar a sua «manifestação de desagrado» perante a comunicação social.

«Magoa o nosso trabalho não ser conhecido e ser tratado com tanta leviandade por quem nos tutela», afirmou Maria João Cardona, ex-diretora da Escola Superior de Educação de Santarém (ESES), declarando o seu «orgulho» pelo «muito bom trabalho de 30 anos».

Aos números apontados pelo atual diretor, Jean Campiche, para dar a dimensão do trabalho desenvolvido na ESES, Maria João Cardona acrescentou «a grande tradição» desta escola no trabalho com África (nomeadamente na elaboração dos manuais escolares de São Tomé e Príncipe) e mais recentemente com o Brasil.

As Escolas Superiores de Educação «não estão na infância, já deram muitas provas de muito e bom trabalho», frisou, realçando o desconhecimento por parte de Nuno Crato da realidade de uma formação muito próxima da das universidades. Outra das professoras, e subdiretora, Helena Luís, lembrou que a estrutura curricular «é exatamente a mesma, tal como é a mesma agência que avalia os cursos».

A ação de reflexão realizada esta quinta-feira em todas as ESE do país insere-se no conjunto de iniciativas que a Associação de Reflexão e Intervenção na Política Educativa das Escolas Superiores de Educação (Aripese) decidiu realizar em reação à entrevista do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, à RTP, a 18 de dezembro, dia da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) dos professores, em que o responsável falou sobre o sistema de formação de professores e as licenciaturas não universitárias.

Na entrevista, o ministro afirmou que «o sistema de formação de professores tem, neste momento, várias falhas», entre as quais a preparação dos candidatos à entrada para os cursos de habilitação à docência, que, segundo o responsável pela pasta da Educação, devem, pelo menos, prestar provas a Português e Matemática para poder aspirar a lecionar no Ensino Básico e Secundário.

Também a preparação à saída do curso suscitou dúvidas ao ministro, sobretudo se as licenciaturas não forem universitárias.

A jornada é a primeira de outras ações «de reflexão, discussão e clarificação» que as ESE vão realizar ao longo do ano letivo, acrescenta a Lusa.