A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) conclui que «não há uma organização coordenada» e constata que o pessoal da Maternidade Alfredo da Costa «tem lacunas de conhecimentos básicos», o que põe em causa a saúde e a segurança das grávidas.

A ERS divulgou o relatório sobre a fiscalização à maternidade, realizada no dia 13 de agosto e após a morte de uma mulher grávida de gémeos em agosto e de uma outra, em julho, que acabou por ser transferida e submetida a uma cesariana de urgência no hospital de Santa Maria, mas que o bebé não sobreviveu.

O regulador conclui que o diagnóstico à mulher grávida de gémeos não foi feito atempadamente: «Sem prejuízo da investigação entretanto requerida, constata-se atraso na perceção de uma situação clínica grave, de origem infeciosa (sepsis) cuja fonte de infeção não terá sido apercebida atempadamente», pode ler-se nas conclusões do documento.

Quanto à segunda mulher, ela foi transferida primeiro para São José por causa do pulmão direito estar em falência, ao fim de várias horas de queixas de dificuldades respiratórias. Esta mulher veio depois a ser transferida para Santa Maria onde foi submetida a uma cesariana, acabando o bebé por falecer ao fim de dois dias.

Após a avaliação das duas situações, a entidade faz duras críticas: «Parte das instalações põe em causa a segurança das utentes, como é o caso de ausência de rampas de oxigénio nas enfermarias», assim como «a localização do carro de emergência e respetivo desfibrilhador não é a recomendável». A «localização do cardiodesfibrilhador (fora da enfermaria, com inúmeras barreiras, como é o caso de portas e corredores labirínticos) impede uma perceção de um ritmo desfibrilhável e a sua imediata reversão».

Para além das deficiências físicas e arquitetónicas, o pessoal também é alvo de críticas: «Não há uma organização coordenada, podendo limitar de forma danosa a prestação de cuidados a doentes críticos». E acrescenta o dito relatório a «constatação de lacunas de conhecimentos básicos de formação do pessoal em Suporte Avançado de Vida». As «lacunas de formação nesta área foram apontadas pela enfermagem».

A ERS deu um prazo de 30 dias ao Centro Hospitalar para corrigir as falhas «face à complexidade e risco clínico crescente das grávidas que têm vindo a ser admitidas e internadas na MAC». A entidade responsável pela MAC já se comprometeu a implementá-las «com exceção do cumprimento das medidas relativas à correção das barreiras arquitetónicas», uma vez que carece de autorização da tutela para fazer obras orçadas em 200 mil euros, mas alega que «já existe uma estratégia para a prestação de cuidados a doentes graves».