Elina Fraga foi eleita na sexta-feira nova bastonária da Ordem dos Advogados (OA) para o triénio de 2014/2016, informou hoje a instituição à agência Lusa.

Apoiada por Marinho e Pinto, bastonário desde 2007, Elina Fraga foi a candidata mais votada nas eleições mais concorridas de sempre na OA, recolhendo 31% dos votos expressos (resultados provisórios).

Elina Fraga reuniu o voto de 6.175 advogados, num universo de 20.199 votantes para bastonário, dos quais 1.086 (5%) foram votos em branco e 439 (2%) considerados nulos.

O segundo de seis candidatos mais votados foi Vasco Marques Correia, com 17% dos votos expressos (3.446), enquanto Raposo Subtil (3.157 votos) e Guilherme Figueiredo (3.204) obtiveram 16 por cento.

Jorge Neto contabilizou 9% dos votos (1.758) e Jerónimo Martins somou 5% (934).

Para a presidência do Conselho Superior foi eleito Luís Menezes Leitão, com 29,3% dos votos.

António Jaime Martins venceu a eleição para o Conselho Distrital de Lisboa, o órgão de distrito com mais advogados no país, com 31,6%, enquanto Miguel Cardoso Martins reuniu 28,4% e Vítor Marques Moreira registou 23,8 por cento.

Nos restantes conselhos distritais foram eleitos Elisabete Grangeia (Porto), Amaro Jorge (Coimbra), Carlos Florentino (Évora), José Leiria (Faro) e Elias Pereira (Açores). O Conselho Distrital da Madeira não enviou os resultados para a OA.

Na história da OA, Elina Fraga, de 43 anos, é a segunda mulher a exercer o cargo de bastonária dos advogados, depois de Maria Serra Lopes, na década de 1990.

Elina Fraga foi vogal do Conselho Geral no primeiro mandato de Marinho e Pinto e primeira vice-presidente no segundo.

«Campanha sem elevação desprestigiou advogados que a fizeram»

O ainda bastonário da Ordem dos Advogados e apoiante da sucessora, Elina Fraga, escolhida na sexta-feira, lamentou que a campanha para as eleições mais concorridas de sempre da instituição não tenha decorrido com elevação.

«A campanha não decorreu com elevação, sobretudo por parte dos três candidatos de Lisboa», disse Marinho e Pinto, em alusão a Vasco Marques Correia, que obteve a segunda maior percentagem na votação (17%), Raposo Subtil e Jerónimo Martins (ambos com 16%), enquanto a nova bastonária recolheu 31 por cento.

O ainda bastonário da OA referiu à Lusa que a campanha, marcada por troca de acusações e por ações judiciais entre candidatos, «não desprestigiou os advogados que assim atuaram».

Marinho e Pinto, que cumpriu dois mandatos (seis anos) como bastonário, salientou que «os advogados não costumam premiar, eleger as pessoas que têm condutas semelhantes».

«Os advogados não gostam de falta de respeito pelo princípio da urbanidade, pela falta de respeito pelos outros colegas», salientou pouco tempo depois de os resultados provisórios terem sido apurados, na manhã de hoje.

O bastonário dos advogados eleito em 2007, que não podia recandidatar-se a um terceiro mandato, afirmou ainda que se registou «uma grande votação, à volta dos 70 por cento dos eleitores».

Sobre a sua sucessora no cargo, Marinho e Pinto congratulou-se por Elina Fraga ser do interior do país, «onde o Governo quer encerrar tribunais».