Quatro anos e meio depois do assassinato de Rosalina Ribeiro, Duarte Lima foi ouvido pelo Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa a pedido da justiça brasileira. Duarte Lima chegou ladeado pelos advogado brasileiro e português, pronto a esclarecer todas as dúvidas, mas dentro da sala de audiências.

A juíza de instrução tinha 73 perguntas enviadas pela justiça brasileira. Umas do Ministério Público, outras dos advogados de defesa. Mas a magistrada preferiu seguir o seu próprio guião.

Lá dentro, Duarte Lima declarou-se um homem inocente, com horror a armas, para quem o mandamento não matarás é sagrado.

Aliás, garante, nem sequer teria motivos para abater a vítima. Disse que nunca pressionou a antiga cliente a ilibá-lo do desvio de verbas da herança Feteira. Rosalina depositou-lhe mais de cinco milhões de euros na conta mas foram honorários antecipados para uma batalha judicial que se previa longa.

Quando a juíza lhe perguntou se declarara esses rendimentos disse «não pretendo responder».

Duarte Lima garantiu ainda que a justiça suíça o ilibou do desvio de verbas e que até recebeu uma indemnização de Olímpia Feteira.

A filha do milionário garante que se limitou a pagar as custas judiciais de um processo arquivado, mas que ainda poderá ser reaberto.

«Ele foi buscar mais uma história que é a história do processo da suíça que ele está a falsear e que se está a basear em coisas que não são corretas e que a seu tempo se verá», afirmou.

O antigo deputado assegura que foi ao Brasil porque a vítima lhe pediu. Havia um interessado em comprar a posição da cliente na herança do milionário. Confirma ainda que esteve em Saquarema, perto do local do crime, na véspera, porque a antiga companheira de Lúcio Feteira queria avaliar o potencial de uns terrenos.

Na noite do crime levou Rosalina a Maricá por cortesia. Antes de partir viu a cliente entrar no carro de uma mulher loira que acreditou chamar-se Gisele. À hora em que Rosalina era abatida com dois tiros em Saquarema, Duarte Lima garante que estava numa pizzaria de Maricá a conversar com duas senhoras.

«Finalmente foi-me dada a oportunidade formal de manifestar a minha indignação perante a acusação abjeta que me foi dirigida no Brasil e de esclarecer os equívocos que essa acusação gerou. Tenho a certeza que as declarações que aqui prestei hoje contribuíram para desfazer esses equívocos e para provar a minha inocência e gostava de dizer-lhes que saio daqui depois destas declarações muito descansado», disse.

Por fazer ficaram várias perguntas que o Ministério Público brasileiro considerava importantes. A juíza não considerou relevante esclarecer por que razão Duarte Lima levou de Portugal um telemóvel pré-pago só para falar com Rosalina e de que se desfez no dia seguinte ao crime. Ou até por que entregou o carro alugado sem o tapete do passageiro. Cá fora o arguido também não quis esclarecer.

Duarte Lima até acredita saber quem o quis incriminar¿mas sem provas diz que fica em silêncio. As respostas vão seguir para Saquarema. Só depois o juiz brasileiro decide se o caso segue para julgamento.