O Conselho Português de Proteção Civil afirmou, esta terça-feira, que a morte de dois bombeiros de Carregal do Sal, este verão, poderiam ter sido evitadas se houvesse radiocomunicações de grupo que ligasse bombeiros, sapadores florestais e GIPS.

«O Conselho Português de Proteção Civil mantém contacto regular com diversos agentes de proteção civil e entidades cooperantes e sabe, de fonte segura, que não pode identificar, que a bombeira de Carregal do Sal, que perdeu a vida no verão passado, poderia estar viva se houvesse radiocomunicação de grupo que ligasse bombeiros, sapadores florestais e GIPS. Houve quem gritasse para tentar avisar o grupo para o perigo imediato, contudo os gritos não foram ouvidos pelos combatentes que acabaram por ser atingidos pelo fogo», lê-se num comunicado enviado às redações.

A resposta surge em reação ao Repórter TVI «Sem Rede», exibido esta segunda-feira, que demonstrou as falhas no sistema de comunicações SIRESP.

No mesmo incêndio, morreu um outro bombeiro, pelo que o presidente deste organismo, no Jornal das 8 da TVI, realçou que duas vidas podiam ter sido salvas.

«Se o sistema funcionasse, os gritos de um dos intervenientes para tentar alertar aquela equipa não seriam gritos, seriam comunicações via rádio. E os meios aéreos também não tinham contacto, não tinham forma de alertar aquela equipa», disse João Paulo Saraiva, presidente do Conselho Português de Proteção Civil.

Segundo este responsável, neste incêndio que matou dois bombeiros estavam disponíveis rádios do SIRESP, «mas não tinham cobertura».

«O sistema de comunicações não acautela a segurança dos que diariamente trabalham em proteção civil nem das populações em geral», pode ler-se no comunicado.

O Conselho Português de Proteção Civil afirma ainda que «foram ainda resgatados outros dois bombeiros noutra ocorrência no Caramulo, salvos devido à pronta intervenção de uma equipa do GIPS que se apercebeu da situação e, colocando as suas vidas em risco porque não tinham forma de comunicar com os bombeiros, não hesitaram intervir para salvar».