O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, disse que a direção do serviço de urgências do hospital Amadora-Sintra mantém-se demissionária. A administração da unidade de saúde tinha já confirmado que aquela direção pedira a demissão há cerca de duas semanas, mas que a questão «foi ultrapassada».

«Ainda hoje [terça-feira] me foi confirmado que foi efetivamente concretizado e que se mantém o pedido de demissão» da direção das urgências do Amadora-Sintra, afirmou José Manuel Silva na noite desta terça-feira, no programa «Política Mesmo», na TVI24, dedicado ao impacto da austeridade no Serviço Nacional de Saúde.

O jornal «i» avançou na segunda-feira, na sua edição online, que a direção do serviço de urgência do hospital Fernando da Fonseca, mais conhecido como Amadora-Sintra, pediu a demissão - numa altura em que se registou um pico de afluência àquele serviço - «por entender que as atuais condições de trabalho colocam em risco a qualidade mínima no atendimento e a vida dos doentes».

Ainda segundo o mesmo jornal, a equipa em causa apresentou o pedido de demissão no dia 31 de Dezembro e a situação foi comunicada na última sexta-feira aos sindicatos e à Ordem dos Médicos por carta, através da qual é pedida uma intervenção urgente.

Também na segunda-feira, contactada pela agência Lusa, fonte não identificada da administração daquele hospital confirmou que a direção das urgências pediu a demissão, mas que a questão «foi ultrapassada» por várias medidas aplicadas e que a equipa «continua em funções».

A mesma fonte explicou que o hospital Amadora-Sintra chegou a registar picos nas urgências, para onde estavam destacados 18 médicos, de cerca de 600 pessoas por dia, acrescentando que a administração, depois da ameaça de demissão, conseguiu mobilizar para as urgências médicos de outros serviços.

Os picos registados, disse também a fonte hospitalar, estavam sobretudo relacionados com casos de gripe. No dia «mais grave», chegou a registar-se uma espera de 20 horas, para as situações consideradas menos graves.