Dezoito crianças que sofreram nesta sexta-feira uma intoxicação alimentar em Castanheira de Pera vão ficar internadas no Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC), disse à agência Lusa fonte oficial do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Além destas crianças, há ainda três adultos em observação no CHUC. De acordo com a mesma fonte, deram entrada no Hospital Pediátrico de Coimbra 44 crianças e 33 delas já foram avaliadas.

Vinte e uma destas trinta e três crianças, com idades entre os seis e os 10 anos, são do sexo masculino e 12 do sexo feminino. «Dezoito vão ficar internadas», disse à Lusa a mesma fonte, salientando que as restantes permanecerão «em observação».

Um grupo de 52 crianças e os seus três monitores sofreram nesta sexta-feira uma intoxicação alimentar em Castanheira de Pera.O grupo deslocou-se àquela vila do norte do distrito de Leiria para usufruir da Praia das Rocas.

O presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) já afastaram qualquer responsabilidade do complexo da praia das Rocas no acontecimento.

Também da Câmara de Penedono, o presidente da autarquia local, Carlos Esteves, disse que estas crianças estavam integradas nas atividades de férias do município, no programa «Férias Animadas».

A comida que as crianças consumiram - e que terá estado na origem deste acontecimento - foi confecionada na cantina municipal, na manhã des manhã, pela habitual funcionária, disse Carlos Esteves à Lusa.

O autarca, contudo, não tinha conhecimento da composição da ementa utilizada para este dia de atividades de férias das crianças.

Carlos Esteves garantiu que abrirá um inquérito para apurar responsabilidades, ressalvando que a sua preocupação «é com a saúde das crianças e dos funcionários».

Delegado de Saúde não espera aumento do risco

O delegado de Saúde Regional do Centro disse hoje que a investigação efetuada à intoxicação registada em Castanheira de Pera «permite suspeitar dos alimentos ingeridos ao almoço» e que não espera aumento do número de pessoas em risco.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o delegado de Saúde aponta os alimentos do almoço como «veículo da doença» e refere que os «sintomas e tempos de incubação apontam para toxinfecção alimentar coletiva por toxina estafilocócica. Este tipo de patologia é bem conhecido pelos clínicos e epidemiologistas».

«Sendo os alimentos ingeridos ao almoço a principal suspeita de veículo de transmissão e tendo a sua ingestão cessado, não se espera que aumente o número de pessoas em risco», revela a mesma fonte.

O comunicado esclarece ter ocorrido um «surto de gastroenterite, na Praia das Rocas, Castanheira de Pera, com início cerca das 15:40, entre os participantes num passeio integrado no programa ¿Férias animadas¿ promovido por uma instituição de Penedono, distrito de Viseu».

«Participaram 58 pessoas, das quais, até ao momento, 41 adoeceram, o que corresponde uma taxa de ataque (percentagem de doentes) de 70%. Apresentavam sintomatologia predominantemente caracterizada por vómitos, diarreia, prostração e dores abdominais. Os doentes, maioritariamente crianças com idades compreendidas entre os seis e os 10 anos, foram observados por uma equipa do INEM que se deslocou ao Centro de Saúde de Castanheira de Pera, tendo as crianças sido transferidas para o Departamento de Pediatria dos CHUC [Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra], onde, às 21:30, 45 crianças tinham sido observadas», adianta.