Desmaios de técnicos, queda de cabelo e alergias estão a causar preocupação na Universidade do Minho. Os sintomas surgiram após a explosão num laboratório em outubro e as causas estão por apurar. A reitoria admite a existência de um composto orgânico volátil, mas há quem fale em material radioativo.

De acordo com o «Jornal de Notícias» (JN), os funcionários da Universidade estão apreensivos com a possibilidade de haver matérias tóxicas à solta no edifício onde funcionam os laboratórios de Biologia, Química e Física, em Braga. O mesmo edifício onde explodiu e ardeu o laboratório de Química Orgânica, a 26 de outubro de 2012, e onde estavam produtos com o rótulo de «muito tóxicos». Os responsáveis da Universidade do Minho argumentam que ainda não têm dados que permitam associar o incêndio à onda de alergias.

O caso mais grave de que há notícia é o de uma técnica do laboratório de Física, que fica situado imediatamente abaixo do espaço onde ocorreu o acidente. A funcionária foi internada no Hospital de Braga, uma semana depois do incêndio, com sintomas de alergias, de náuseas, queda de cabelo e queda parcial do pelo das sobrancelhas. Já teve alta hospitalar, mas permanece de baixa médica.

Este e outros casos, como por exemplo os dois desmaios ocorridos na passada quinta-feira, estarão a ser alvo de procedimentos minuciosos da reitoria da universidade, até porque se desconhecem as causas. Já foram efetuadas análises sanguíneas a oito técnicos, mas o resultado ainda não é conhecido.

Três dias após o incêndio, uma empresa especializada fez análises à qualidade do ar de todo o edifício. «Todos os parâmetros analisados estavam abaixo dos valores de referência, com exceção de dois laboratórios, onde já tínhamos tido indicações no passado», explicou ao JN, Paulo Ramísio, pró-reitor com a tutela das infraestruturas.

Apesar da explicação do pró-reitor, o JN sabe que entre os funcionários da universidade corre a informação de que houve a libertação de substâncias radioativas. As análises só vieram adensar as dúvidas sobre a ligação entre as reações alérgicas e o incêndio no laboratório de Química. Isto porque um dos laboratórios onde foram detetados níveis elevados de compostos orgânicos voláteis (COV) é afastado da zona do incêndio. O outro é precisamente ao lado.

Paulo Ramísio refere que a reitoria está «a averiguar formas e procedimentos que poderão criar sintomas alérgicos nas pessoas». O pró-reitor acrescenta que espera identificar a causa «a muito curto prazo, para que que esses problemas deixem de aparecer».