O ministro da Educação, Nuno Crato, defendeu, esta terça-feira, no Parlamento, que «a exigência é amiga dos pobres», recusando que o programa de Matemática que criou para o ensino básico, criticado por toda a oposição, seja para elites.

«Não é uma matemática para elites. A exigência é amiga dos pobres. Se nós tivermos exigência no nosso ensino, se nós quisermos que os nossos jovens aprendam mais, se formos exigentes com eles, o que acontece é que estamos a favorecer todos os que estão na escola pública. Estamos a favorecer os estudantes portugueses e dar condições aos que menos condições económicas e sociais têm para poder progredir», declarou Nuno Crato.

Respondendo a críticas da deputada comunista Rita Rato, que na comissão de Educação, Ciência e Cultura acusou hoje Nuno Crato de ter imposto um programa de Matemática no ensino básico que contraria orientações internacionais para a disciplina e que não tem a aprovação dos professores, o ministro recusou que seja um programa de Matemática para elites.

Odete João, do Partido Socialista (PS) pediu a revogação do programa, assim como Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, que referiu o desacordo de «uma maioria esmagadora dos professores» em relação ao programa, defendendo que este não representa «uma continuidade», mas sim «uma rotura» e «um retrocesso».

«Abra negociações, volte atrás, desista do seu programa. Dê um passo atrás, faça política que é o que não faz. É o desafio a ministro completamente isolado e em fim de linha», declarou o deputado bloquista.

Nuno Crato recusou qualquer rotura do novo programa em relação ao anterior e sublinhou que as metas de aprendizagem definidas pelo seu ministério dão continuidade ao trabalho de Isabel Alçada.

«O programa de Matemática do ensino básico teve ligeiras alterações em relação ao anterior. As alterações são mínimas e foram introduzidas de forma muito gradual», defendeu Crato.