O ministro da Educação, Nuno Crato, admitiu que a diminuição na atribuição de bolsas individuais de investigação «é um problema social» para o qual é preciso olhar.

«É evidente que há um problema social e que temos que olhar, mas também temos que perceber que as bolsas são para desenvolver a nossa ciência. Desenvolvendo a nossa ciência e melhorando o nosso tecido social nós conseguiremos criar mais emprego», disse Nuno Crato, na comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, onde esteve a ser ouvido pelos deputados por por requerimento potestativo do Bloco de Esquerda, sobre os concursos de atribuição de bolsas da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) e as políticas públicas para a ciência.

Crato respondia ao deputado do Bloco, Luís Fazenda, que acusou o ministro de não ter «raciocínio social», criticando também a mudança de paradigma na ciência, ainda que, sublinhou, se mantenha o nível de investimento.

«Para mim a questão é esta: se se mantém praticamente inalterado porque é que cortou nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. Porque é que excluiu cerca de mil mesmo a contar com os tais programas doutorais. Há uma questão social. Responda à questão social. Porque é que enviou da precariedade para o desemprego tanta gente que era da formação mais avançada do país», questionou Luís Fazenda.

A FCT, entidade pública que atribui o apoio financeiro à investigação, revelou recentemente que os concursos de 2013, com efeitos práticos em 2014, resultaram em menos 900 bolsas individuais de doutoramento e menos 444 bolsas de pós-doutoramento.

Na sua intervenção inicial Nuno Crato defendeu que as bolsas de investigação não são emprego científico, mas sim uma «oportunidade de formação avançada», uma designação a que Luís Fazenda chamou de «eufemismo extraordinário».

«Acabou essa oportunidade de formação avançada para milhares. Mais de mil nestes últimos concursos e muitos outros que estão aí já fora do sistema, e outros, como já é dito, que estão em exílio ou emigração científica», criticou o deputado bloquista.

Sobre o emprego científico, a deputada do PCP Rita Rato pediu a integração dos bolseiros de investigação na carreira científica para terminar com a precariedade entre os investigadores.

Em resposta, a secretária da Estado da Ciência, Leonor Parreira, anunciou a revisão da carreira de investigação científca.

«Estamos a colher contributos para uma revisão da carreira de investigação científica de forma a que se consiga duas coisas: dar garantia de trabalho de carreira e ao mesmo tempo permitir a reentrada das novas gerações», declarou Leonor Parreira, acrescentando que faltam apenas as propostas pedidas ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e ao Conselho de Laboratórios Associados.