O banco público de células do cordão umbilical, que há um ano passou para a alçada do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), apenas congelou 82 unidades. Nos três anos anteriores, o banco tinha armazenado mais de 8 mil amostras, cujo paradeiro e utilização são agora desconhecidas.

Desde 2009 a 2012 o banco tinha recolhido mais de 28 mil unidades tendo validado cerca de 8 mil. O jornal «Público» questionou o IPST sobre estas amostras e não obteve resposta.

O banco público de células do cordão umbilical que funciona no Hospital de S. João, no Porto, teve a morte anunciada por várias vezes, por falta de dinheiro e de pessoas. A anterior responsável pelo Lusocord, Helena Alves, avisava em fevereiro de 2012 para o fim iminente.

Helena Alves foi afastada em setembro de 2012 e acusada de irregularidades de gestão, processuais e financeiras. Criado em 2009, o banco tinha um orçamento de 2 milhões de euros e só um quarto foi disponibilizado pelo Estado. Os 14 funcionários foram todos dispensados. A qualidade das recolhas foi posta em causa.

O IPST garante que o banco de células do cordão umbilical está a funcionar e até 2016 vai fazer pelo menos 600 recolhas para conseguir acreditação internacional.