Notícia atualizada às 00:53

A polícia foi chamada a intervir no centro de distribuição dos CTT em Cabo Ruivo para permitir a saída dos primeiros quatro camiões depois do início da greve na empresa, para a qual não foi ainda revelada a adesão.

O início do protesto foi marcado pela intervenção da polícia de intervenção, que afastou grevistas, sindicalistas e deputados das proximidades da porta da empresa.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e os deputados Bruno Dias (PCP) e Pedro Filipe Soares (Bloco de Esquerda) estiveram entre os que foram empurrados.

Os deputados insurgiram-se por a polícia os pretender confinar a um lado da estrada, com Pedro Filipe Soares a dizer que vai levar a situação à Assembleia da República.

Arménio Carlos condenou a ação policial, por ser um «ato de coartar a liberdade», apesar de responsabilizar «não a polícia, mas o Ministério [da Administração Interna] e o Governo», sintetizando a sua classificação da situação como sendo «uma vergonha».

Bruno Dias disse à agência Lusa que «o piquete de greve foi impedido de exercer as suas funções» e considerou «inaceitável que [os polícias] digam que estão a garantir a circulação do trânsito».

No mesmo sentido, Pedro Filipe Soares condenou o que considerou ser um «uso abusivo de força» pela polícia, ao «empurrar [os manifestantes] para o outro lado da estrada» e que «o piquete de greve estava a defender os postos de trabalho».

O deputado do Bloco de Esquerda acusou as forças da autoridade de estarem «a ir contra a lei», considerando que «não há justificação para o que está a acontecer» e acusou-as de estarem «a defender apenas os acionistas, não o interesse nacional».

A intervenção policial foi realizada por algumas dezenas de efetivos, dividindo-se em cerca de 20 à porta das instalações da empresa e outros tantos, do outro lado da estrada, a confinar os manifestantes.

Cerca da 00:20, a polícia de intervenção retirou e só permanece um cordão policial à porta da saída dos camiões, não havendo movimento de entrada e saídas.

A intervenção da polícia permitiu a saída de alguns camiões dos CTT com atrelados.

Os deputados e o secretário-geral da CGTP continuam no local e alguns sindicalistas exibem cartazes com dizeres como «Tirem-me deste filme», «CTT 500 anos de história não se vendem» e «Não há que vender. Vendam o senhor engenheiro».