A presidente da Câmara de Almada afirmou hoje que nunca foi chamada a pronunciar-se sobre a meia-maratona de Lisboa na ponte 25 de Abril, ao contrário do que aconteceu agora com a marcha da CGTP prevista 19 de outubro.

«Sou presidente da Câmara de Almada há 27 anos, a meia-maratona de Lisboa acontece na ponte há 20 anos e a Câmara Municipal nunca foi solicitada a pronunciar-se sobre a meia-maratona de Lisboa», disse a autarca Maria Emília de Sousa.

A autarca comunista falava aos jornalistas após uma reunião com o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, para discutir questões relacionadas com a marcha de 19 de outubro, promovida pela central sindical, que prevê a travessia a pé da ponte 25 de Abril.

«É preciso que o senhor ministro da Administração Interna sente à mesma mesa os diferentes intervenientes», afirmou a ainda presidente da Câmara de Almada, assegurando que está disponível para participar nessa reunião.

«Da nossa parte nunca tivemos qualquer dificuldade com a aplicação da lei, porque as manifestações estão previstas na lei desde o 25 de Abril de 1974. Todas as manifestações dentro da nossa área de jurisdição são autorizadas pela câmara e é assegurada a normalidade da sua concretização pela autoridade policial», acrescentou.

Maria Emília de Sousa garantiu ainda que a autarquia a que preside já está a preparar as necessárias alterações ao trânsito, para que os participantes na manifestação possam utilizar as vias de acesso à ponte que liga Almada a Lisboa e para indicar percursos alternativos aos automobilistas.

O secretário-geral da CGTP congratulou-se com as conclusões da reunião com a Câmara de Almada e com a disponibilidade da presidente do município para participar na reunião solicitada pela CGTP ao ministro da Administração Interna, para discutir as questões de segurança com as autoridades policiais.

«Todos nós já percebemos que isto é uma questão política, não é uma questão técnica e muito menos de segurança. As câmaras de Almada e de Lisboa já disseram que não tinham nada a obstar à realização da marcha», disse.

De acordo com o dirigente da CGTP, «a única coisa que há são dois pareceres [desfavoráveis], do Conselho de Segurança da Ponte e de um Observatório, mas que não são vinculativos».

Arménio Carlos assegurou, no entanto, que, através do diálogo com as autoridades policiais, «foi sempre possível ultrapassar os problemas de segurança nas manifestações organizadas pela CGTP».

O secretário-geral da CGTP lembrou o êxito das manifestações realizadas pela central sindical quando foi assinado o Tratado de Lisboa, no Parque das Nações, e da manifestação realizada no ano 2000, durante a Cimeira Europeia sobre a estratégia para o emprego.