O ministro da Educação e Ciência afirmou esta terça-feira que a ciência portuguesa deve aproveitar a oportunidade do novo programa comunitário para fazer do país um «beneficiário líquido», recuperando os fundos investidos.

Na sessão comemorativa do 25.º aniversário do Instituto de Biologia Experimental Tecnológica (IBET), Nuno Crato vincou, no anterior programa comunitário na área científica, Portugal não conseguiu recuperar todos os fundos que foram investidos.

«O nosso país teve resultados muito honrosos, mas não conseguiu recuperar a totalidade de fundos que nele investiu. Para que Portugal, no novo programa, não seja um contribuinte líquido, antes seja um beneficiário líquido, temos de fazer melhor», declarou o ministro.

Crato aludia ao lançamento do programa comunitário Horizonte 2020, ao abrigo do qual estão disponíveis para a ciência europeia cerca de 80 mil milhões de euros.

«O nosso sistema científico e tecnológico nacional tem condições para beneficiar ao máximo desta oportunidade», defendeu.

Segundo o ministro, os artigos científicos produzidos em Portugal são outra área em que é preciso mais investimento.

Citando o relatório sobre o impacto da produção científica relativo ao ano passado, Nuno Crato disse que os artigos portugueses produzidos entre 2008 e 2012 «têm ainda um impacto inferior à média da União Europeia a 15» em quinze das 22 áreas analisadas.

Na mesma cerimónia, o ministro da Saúde, Paulo Macedo elegeu a investigação clínica como tema principal do seu discurso, sublinhando a necessidade de a apoiar e desenvolver nas próximas décadas.

«Este é um desafio que não pode ficar limitado a discursos, declarações de interesses. É um desafio que tem de materializar-se em projetos, em resultados», declarou.

Contudo, Paulo Macedo não se referiu ao fundo para investigação clínica, com uma verba inicial prevista de um milhão de euros, que estava previsto ter ficado disponível até final de fevereiro.

De acordo com declarações anteriores dos responsáveis do Ministério da Saúde, este fundo será constituído por dinheiros públicos e não comunitários, à semelhança do que já acontece noutros países da Europa, com a farmacologia a ser umas das áreas prioritárias para receber verbas.

Ainda sobre a investigação clínica, Paulo Macedo disse que «Portugal tem obrigação de se colocar na rota internacional dos ensaios clínicos».

«As nossas instituições mais diferenciadas têm de se constituir como centros internacionais de ensaios clínicos, em especial da fase 1», declarou o ministro, dando o exemplo da Universidade de Coimbra, que inaugura na próxima semana um centro exclusivo para ensaios da fase 1.

A fase 1 dos ensaios clínicos é quando é experimentado pela primeira vez em seres humanos um fármaco. Estes ensaios focam-se principalmente na segurança e tolerância ao medicamento.