A capela do Palácio da Ajuda, em Lisboa, onde estará exposta a única tela de El Greco, em Portugal, «Santa face de Cristo», reabre esta terça-feira ao público, depois de encerrada há mais de um século.

O diretor do Palácio, José Alberto Ribeiro, disse à Lusa que reabrir a capela é «devolver ao olhar do público um espaço desconhecido».

O óleo de El Greco é datado do primeiro quartel do século XVII, passa a fazer parte do programa museológico da capela, tendo sido adquirido pelo rei D. Luís, marido de D. Maria Pia.

A cerimónia de reabertura do espaço musealizado está marcada para as 18:30 e contará com a presença do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

A capela está encerrada desde a proclamação da República em 1910, e o seu restauro «seguiu as indicações documentais de 1910, a partir dos arrolamentos judiciais [da República] do que estava em cada divisão do palácio real e é muito fiel ao que seria no final da monarquia», contou José Alberto Ribeiro.

O projeto da capela, explicou José Alberto Ribeiro, visou «restaurar o espaço que é muito bonito, e mostrar algumas peças de referência da coleção do palácio, como pinturas importantes de mestres italianos dos séculos XVII e XVIII, escultura e alfaias religiosas» em prata.

Referindo-se à capela, José Alberto Ribeiro destacou que é «construída quase toda em madeira, num programa decorativo feito pelo arquiteto Manuel Ventura Terra, em finais do século XIX, com o pintor Veloso Salgado, autor da pintura de Nossa Senhora com o Menino, que é o orago».

A capela «é uma caixa em madeira de carvalho criada dentro de uma sala já existente no palácio, no piso térreo, à direita da entrada para o vestíbulo, na ala sul, e inclui alguns objetos criados pelo arquiteto, como as ferragens das portas e o sacrário, numa linha neomedieval e 'arts & craft' de final do século [XIX], que é das últimas novidades e tendências estéticas aqui do palácio».

O espaço religioso mostra alguns santos da devoção da rainha Maria Pia, nomeadamente Santa Rita de Cássia, S. Francisco Xavier, S. Carlos Borromeo e a Virgem de Paris, ligada à «imagem milagrosa», e ainda o seu missal, em madrepérola, afirmou José Alberto Ribeiro.

«A antecâmara e a sacristia, com algum mobiliário original, foram musealizadas de forma a mostrar algumas peças de cariz religioso das coleções do palácio», acrescentou.