Atualizado às 14:50

O acesso à praia do CDS, na Costa da Caparica, está hoje interditado devido à ondulação marítima, que inundou estabelecimentos comerciais e empurrou pedras e mobiliário urbano, causando prejuízos «elevados» aos comerciantes, revelou fonte da autarquia.

Mau tempo: 15 distritos em «alerta»

Na madrugada de hoje, as ondas galgaram o paredão e inundaram restaurantes, cafés e o parque de estacionamento da praia do CDS. Por volta das 15:00, a situação poderá repetir-se, já que haverá preia-mar.

Pouco antes do almoço, a Capitania do Porto Lisboa decidiu interditar o acesso à zona, disse à agência Lusa Rui Jorge Martins, vereador da Câmara Municipal de Almada com o pelouro da Proteção Civil.

«Nada disto era espectável. Tínhamos apenas o alerta amarelo da Proteção Civil e nem sequer havia indicação de ventos muito fortes. Fomos todos apanhados de surpresa», recordou o autarca, explicando que as ondas empurraram pedras e mobiliário urbano, que foi arrastado e «está agora a ser limpo» pelos serviços camarários.

O mau tempo provocou estragos nos estabelecimentos comerciais e, apesar de ainda não ter sido feito um balanço, o vereador acredita que serão «muito grandes para os concessionários, que têm de ser indemnizados».

Às 18:00, responsáveis da autarquia vão reunir-se com a população e com representantes dos espaços concessionários «para encontrar um caminho comum para reivindicar uma solução para esta situação», contou Rui Jorge Martins.

Para o vereador, esta situação poderia ter sido minimizada se o programa anual de recarga de areias não tivesse sido interrompido.

Rui Jorge Martins lembrou que «o INAG lançou um programa de recarga das areias em 2006, que servia para amortecer a força do mar e que era fundamental para não colocar esta zona em perigo. Mas o programa foi suspenso em 2010».

O programa tinha como objetivo colocar artificialmente areia nas praias que vão sendo retiradas no inverno.

Alerta de madrugada

António Ramos, proprietário de três restaurantes da Costa da Caparica, apercebeu-se que tinha os seus estabelecimentos comerciais inundados por volta das três da manhã: «Tinha ido à lota comprar peixe e estava a vir para aqui quando me apercebi que o mar tinha invadido tudo. Está aqui um pandemónio, não se consegue trabalhar».

«Já no último fim de semana, o mar entrou pelos restaurantes e danificou-os. Hoje, o mar parecia uma cascata junto ao paredão», lamentou, sublinhando os prejuízos de muitos comerciantes que não vão conseguir abrir portas hoje, acrescentou António ramos.