Os presidentes das Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP) e da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários (APBV) reivindicaram esta terça-feira o aumento para 300.000 euros do montante de seguro a atribuir a bombeiros por morte ou invalidez.

Numa conferência de imprensa realizada em Lisboa, os presidentes da ANBP e da APBV, Fernando Curto e Rui Silva, respetivamente, juntaram-se para reivindicar medidas em defesa dos bombeiros portugueses.

O Fundo Social do Bombeiro, as campanhas de solidariedade, as reformas, a classificação da profissão como de desgaste rápido e questões relacionadas com a assistência médica e higiene e segurança no trabalho são áreas que aqueles organismos querem debater com o Governo e grupos parlamentares aos quais vão enviar, na quarta-feira, um documento com as reivindicações, pedindo igualmente reuniões, tal como com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), disse Fernando Curto.

Na conferência de imprensa, que pela primeira vez reuniu representantes de bombeiros voluntários e profissionais, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses foi um dos alvos das críticas, por «não representar os bombeiros, mas as associações humanitárias», disse Fernando Curto.

A participação na gestão do Fundo Social do Bombeiro, que atualmente é apenas gerido pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), medida que para ser aplicada implica, segundo o presidente da APBV, Rui Silva, uma alteração da lei, é outra contestação das associações.

Para tal, os presidentes daqueles organismos propõem a constituição de um grupo de trabalho que integre bombeiros profissionais e voluntários.

Campanhas de solidariedade com regras é outra das exigências da ANBP e da APBV. A este respeito, propõem a criação de um grupo de trabalho, com representantes dos organismos que dirigem e da Liga, que seja tutelado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil de modo a que o dinheiro resultante das campanhas tenha «distribuição equilibrada e prioridades bem definidas».

Fernando Curto e Rui Silva exigem ainda a reposição da bonificação de 15 por cento com que os bombeiros contavam para o cálculo de reforma.

«É, sem dúvida, uma grande machadada para todos os bombeiros portugueses no sentido de que tendo nós, os profissionais neste caso concreto, vencimentos baixos, os voluntários, que estão também a trabalhar e têm a desvalorização nas suas profissões, acaba por ser um desincentivo àquilo que é a profissão e, por outro lado, à voluntariedade dos bombeiros», disse o presidente da ANBP.

Os dirigentes pretendem ainda que a profissão seja classificada «de risco e de desgaste rápido» e que os montantes de seguros sejam alterados.

Relativamente aos seguros, os presidentes da ANBP e APBV exigem que o montante mínimo por morte ou invalidez permanente de bombeiro - que atualmente é de perto de 109.000 euros - seja fixado em 300.000 euros.

Para a incapacidade temporária propõem o mínimo de 70 euros por dia e para despesas de tratamento 50.000 euros.

Rui Silva criticou o presidente da Liga por, enquanto responsável pelas áreas de incêndios e de proteção civil na Associação Nacional de Municípios, não ter «feito, pelo menos, uma proposta de atualização dos seguros em tempo útil».

No documento, criticam também a Liga por gerir «única e exclusivamente» a Escola Nacional de Bombeiros.

«Queremos que o Governo reveja tudo aquilo que tem a ver com os bombeiros em Portugal e a Liga não pode ter o monopólio da tutela dos bombeiros em Portugal. A Liga não me representa a mim, não representa os bombeiros voluntários, a Liga é uma confederação que representa as associações humanitárias de bombeiros», disse Fernando Curto.

«A Liga não pode representar ao mesmo tempo a entidade patronal e os trabalhadores», escreve a Lusa.