A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo admite que o número de profissionais especializados que dão apoio à VMER de Évora é insuficiente.

José Robalo, presidente da ARS, reagia, assim, em declarações à TVI, à notícia da inoperacionalidade da viatura de emergência e reanimação em Évora no domingo, por motivos de doença do médico, que não pôde assistir a um acidente com dois mortos perto de Reguengos de Monsaraz.

«Em Évora, em janeiro, teríamos à volta de 16 profissionais da área médica para dar apoio à VMER e, neste momento, esses 16 profissionais não conseguem responder às necessidades», afirmou o responsável, nesta terça-feira.

José Robalo receia mesmo que estas situações continuem a ocorrer, não só pela falta de profissionais especializados, mas também por causa das viaturas.

«Infelizmente, poderão continuar a ocorrer, porque os veículos às vezes estão avariados e é uma das circunstâncias que torna estes veículos inoperacionais», denunciou.

A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital de Évora está de novo parada esta terça-feira, desde as 08:00 e até às 16:00, por falta de recursos humanos, disse à agência Lusa fonte hospitalar.

Fonte do gabinete de comunicação do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) confirmou à Lusa a inoperacionalidade da viatura no turno entre as 08:00 e as 16:00, e que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) «está informado» e que «tem outros meios disponíveis na região».

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Uma outra fonte clínica avançou à Lusa que a VMER está hoje parada devido à falta de médico, estando apenas disponível um enfermeiro.

Autarca de Reguengos de Monsaraz quer VMER sempre operacional

No domingo à noite, quando ocorreu um acidente com dois mortos, perto de Reguengos de Monsaraz, a viatura de emergência do Hospital de Évora também estava indisponível devido a «motivos de doença de um profissional escalado», segundo esclareceu a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo.

Há pouco mais de três meses, no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER de Évora também estava inoperacional quando um acidente na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.

Fonte do gabinete de comunicação do hospital assegurou hoje, contudo, que a VMER de Évora «tem garantida a operacionalidade de 93 por cento durante este mês».

A ARS do Alentejo justificou, na segunda-feira à tarde, a inoperacionalidade da viatura de emergência de Évora quando ocorreu o acidente com dois mortos, no domingo à noite, com «motivos de doença de um profissional escalado, não tendo sido possível a sua substituição».

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Em comunicado enviado à agência Lusa, os serviços regionais do Ministério da Saúde asseguraram, no entanto, que «o socorro foi efetivamente prestado» e que, apesar da inoperacionalidade da VMER, «foram enviadas para o local ambulâncias dos bombeiros».

O despiste de um automóvel, ocorrido no domingo, às 21:25, na Estrada Municipal 514, entre Reguengos de Monsaraz e Telheiro, junto ao cruzamento para a aldeia de Motrinos, provocou a morte de dois homens de 46 e 52 anos.

A VMER de Évora ficou «operacional» às 08:00 de segunda-feira, mas hoje voltou a ficar indisponível no turno entre as 08:00 e as 16:00.