João Salvador Anjos foi dux da Universidade Lusófona entre 2001 e 2006. A sua nomeação aconteceu por ser reconhecido e por se destacar na faculdade, acabando por ser eleito.

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Durante o seu «mandato», o responsável pelas praxes garante nunca ter presenciado a excessos. No entanto, João Salvador Anjos, que garante nunca ter confundido a popularidade com o dever, explica os poderes que um dux tem.

«Os alunos respeitam mais um Dux do que o reitor ou um presidente da associação académica», garante João Salvador Anjos, acrescentando que «era incrível a maneira como nós éramos bajulados». «Sempre que havia festas dos cursos nós éramos convidados e eles gostavam que os dux veteranos estivessem lá presentes. Nós para eles éramos importantes».

Foi durante o tempo em que esteve como dux que constituíram o que hoje é o COPA - o Conselho Oficial da Praxe Académica da universidade. Na altura em que foi constituído, o COPA tinha como objetivo travar exageros e divergências entre cursos.

«Vamo-nos unir todos para que se for preciso chamar alguém à responsabilidade há um núcleo cá dentro responsável e que pode dar a cara», conta João.

O ex dux revela ainda que o COPA teve reuniões com a universidade, onde foram «mostrar a cara e dizer "queremos fazer isto com a concordância da universidade" e que a Lusófona concordou e responsabilizou o COPA», reconhecendo a sua existência.

Já para evitar discrepâncias entre os alunos foi criado o código de praxe.

«Nós queríamos que as pessoas olhassem para todos como veteranos. Não como o veterano que tem dinheiro, o veterano que tem um Ferrari...», explica João Salvador Anjos, dizendo que se tratavam de regras para os alunos, mas também para o dux, que é sempre o responsável máximo por todas as praxes.

«Não querendo ferir suscetibilidades, às vezes, a sede de poder (...) leva as pessoas a cometer exageros», revela o dux.

«É triste ver que o que nós criámos para gerar amigos e amizades transformar-se em objeto de morte e tirania, psicose, e não tem nada a ver. Dá a imagem errada e nós que estamos fora nada podemos fazer hoje em dia para ajudar a que isso se modifique, apenas vemos é que cada vez está a entrar num buraco mais fundo», desabafa o dux.

Um buraco que continua sem explicações e com silêncios.

PJ já ouviu quatro familiares

Quatro familiares dos estudantes que morreram em dezembro na praia do Meco já foram ouvidos pela Polícia Judiciária de Setúbal, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

A mesma fonte indicou que falta ouvir dois dos familiares das seis vítimas, admitindo que a PJ queira também os depoimentos dos elementos da Polícia Marítima, que tiveram o primeiro contacto com o único sobrevivente, assim como com residentes da zona onde os estudantes da Universidade Lusófona alugaram uma casa.

Também João Miguel Gouveia, o único sobrevivente que não foi arrastado pela forte ondulação da praia do Meco, alegadamente durante uma praxe académica, vai ser, em breve, ouvido pelos elementos da PJ.