Atualizado às 17:45

Os cerca de 400 estudantes do ensino superior que hoje se manifestam, em Lisboa, prometem continuar a luta por um ensino melhor até que sejam ouvidos pelo Governo.

Os estudantes, que se deslocaram de todo o país, desfilaram entre o Largo do Carmo e a Assembleia da República.

«A luta continua nas escolas e na rua» e «Está na hora de o Governo ir embora» foram as palavras de ordem mais ouvidas pelos alunos em frente à Assembleia da República, onde também já cantaram a canção de José Afonso «Grândola, Vila Morena», enquanto empunham cartazes em que reclamam o que consideram ser um direito.

Em frente à Assembleia da República, uma estudante leu um manifesto, em que é referido que faz hoje 38 anos que se inscreveram na lei fundamental (Constituição) direitos dos estudantes que este Governo tem vindo a abdicar.

A propósito, salientou que no ano escolar em curso mais de 2.000 estudantes do ensino superior já abandonaram as faculdades por as propinas se terem tornado «uma despesa insustentável» para as famílias.

No mesmo manifesto, os estudantes alertaram o primeiro-ministro para a «degradação do ensino público em Portugal» - enquanto os manifestantes em coro gritaram a primeira vaia - pedindo também a Passos Coelho para promover um «ensino de qualidade», por ser uma condição de desenvolvimento de um país.

A reposição do passe escolar, a melhoria de condições nas residência e financiamento para propinas são algumas das exigências dos estudantes que contestam ainda o facto de a bolsa de ação social atribuída pelo Governo não isentar os estudantes do pagamento de propinas, disse à agência Lusa Sara Covas, da Associação de Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A maioria dos alunos presentes no protesto, que é promovido pelas faculdades de Letras de Lisboa e de Belas Artes do Porto, provém de estabelecimentos do ensino superior de Lisboa e do Porto.

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua juntou-se ao protesto dos estudantes, em frente ao parlamento, para manifestar solidariedade para com a luta.

Mariana Mortágua disse à agência Lusa compreender as reivindicações dos estudantes, por considerar que o ataque deste Governo à escola pública «tem atingido uma dimensão sem precedentes».

Segundo a deputada, o Governo desinvestiu 300 milhões de euros nos últimos anos na educação e os valores das bolsas diminuíram 50 por cento.

Mariana Mortágua disse ainda ter dados que apontam para uma diminuição de 20 por cento de estudantes no ensino superior e uma redução de 50 por cento nas cantinas das faculdades devido ao «empobrecimento generalizado».

Citando estudos que o BE dispõe, referiu que atualmente um filho a estudar no ensino superior representa 72 por cento do rendimento médio de uma família, «o que é incomportável face à situação em que vivemos».