Atualizado às 20:53

Um grupo de 74 cidadãos estrangeiros chegou esta manhã ao aeroporto da Portela, em Lisboa, proveniente de Guiné-Bissau e ficou detido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). São sírios, pediram asilo político a Portugal, mas têm passaportes turcos falsificados.

O grupo terá saído da Síria em direção a Marrocos e dali viajaram para a Guiné. Já em Bissau, tentaram pedir asilo, mas foram mal recebidos e obrigados a entrar à força no avião da TAP, rumo a Portugal.

Todos afirmam ter nacionalidade síria e alguns apresentaram mesmo fotocópia da página biográfica de passaportes sírios. No grupo há 38 homens, 15 mulheres e 21 crianças, a mais nova com apenas 3 meses.

«São setenta e quatro cidadãos estrangeiros, que compõem várias famílias, e que solicitaram asilo político a Portugal», revelou o SEF em comunicado esta noite.

«Os agora requerentes de asilo vão entrar em território nacional e ficar alojados em instalações disponibilizadas pela Segurança Social enquanto decorre o período de instrução dos respetivos pedidos», pode ler-se ainda.

Esta manhã o SEF informou, através de comunicado, que tinham sido detetados 74 «cidadãos estrangeiros portadores de passaportes com fortes indícios de falsificação. «No âmbito das suas competências e no estrito cumprimento da lei, o SEF prossegue todas as diligências necessárias no sentido de avaliar e decidir relativamente à situação destes passageiros», acrescenta o comunicado.

O voo TP202 da TAP proveniente de Bissau, na Guiné-Bissau, chegou a Lisboa às 06:33.

Autoridades de Bissau nada detetaram nos passageiros

Entretanto, as autoridades da Guiné-Bissau disseram, hoje, não ter detetado nada de errado nos 73 passageiros.

Mamadu Cassama, diretor-geral adjunto do SEF guineense, confirmou que se trata de portadores de passaportes turcos.

Mamadu Cassama disse que chegaram a Bissau em dois grupos, há alguns dias, oriundos de Marrocos, país em que 20 deles obtiveram visto de entrada na Guiné-Bissau.

Os restantes não tinham visto, alegando estar em trânsito (sem poder sair do aeroporto) em Marrocos, pelo que pediram vistos de turista ao chegar a Bissau, os quais lhes foram concedidos.

Segundo Mamadu Cassama, não havia nada que «os impedisse de entrar» no país. Na segunda-feira «quiseram sair de novo».

«Verificámos que os passaportes estavam legais» e que «já tinham feito o "check-in" para o voo da TAP através da Internet», referiu, remetendo outras responsabilidades para a companhia aérea.

Mamadu Cassama reconhece que a Guiné-Bissau faz o controlo de entradas e saídas com «limitação de meios», mas recusa falar de «fragilidades» no sistema. «Nós fazemos o nosso controlo devidamente como qualquer país no mundo», concluiu.