O funeral do bebé que morreu domingo no hospital de Viana do Castelo, inicialmente marcado para segunda-feira, realizou-se esta terça-feira cerca das 17:30, depois de consumada a autópsia ordenada pelo Ministério Público, disse à Lusa a família.

Fonte do Instituto de Medicina Legal contactada pela Lusa adiantou que aquele exame foi realizado esta terça-feira à tarde e que o relatório «não estará concluído antes do prazo de um mês».

De acordo com fonte judicial contactada pela Lusa, a realização da autópsia foi pedida pelo Ministério Público (MP), na sequência da queixa-crime por homicídio por negligência, contra incertos, formalizada segunda-feira no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DIAP).

A realização do exame, adiantou aquela fonte, levou na segunda-feira ao levantamento do corpo da igreja onde se encontrava em câmara ardente, obrigando ao adiamento do funeral.

No domingo, a família do menino de dez meses apresentou uma queixa-crime no comando distrital da PSP, tal como confirmou na altura à Lusa o segundo comandante daquela força policial.

A criança sofria de uma cardiopatia congénita e encontrava-se internada naquela unidade hospital com uma pneumonia, tendo a família pedido várias vezes para transferir o bebé para o Hospital de São João, no Porto, onde este era seguido.

No domingo, em declarações à Lusa, a avó do bebé, Maria do Céu Antunes, disse que levou o neto ao hospital, quinta-feira passada, por apresentar tosse.

Segundo a avó, o menino deu entrada no hospital de Viana, cerca das 08:40 de quinta-feira, «com tosse mas sem febre».

«Cerca das 10:30 começou a aparecer a febre. O pediatra que o acompanha no hospital de Viana encontrava-se de serviço, e decidiu interná-lo», adiantou.

A avó do menino garantiu que a partir de sexta-feira, «e porque a febre não cedia», a família «pediu várias vezes» para que fosse efetuada a transferência para o Hospital de São João, onde o menino era seguido devido ao seu problema de saúde.

«Na sexta-feira às 21:30 a febre continuava a não ceder e insistimos para que o transferissem para o Porto mas disseram-nos que o estado de saúde do meu neto não cumpria os requisitos para a transferência», sustentou.

No sábado, adiantou a avó, o bebé foi transferido do serviço de pediatria para Neonatologia, no hospital da capital do Alto Minho.

«Cerca das 20:15, depois de o padre do hospital o ter batizado, pedimos novamente para que fizessem a transferência para o São João. O meu neto não estava nada bem. Só começaram a prepará-lo para seguir para o Porto cerca das 21:30. Entretanto chegou a ambulância do São João, mas já era tarde.»


De acordo com a nota enviada à imprensa, a ULSAM explicou que se tratava de uma criança com uma cardiopatia congénita, acompanhada no Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital de São João, doença que «condicionou fortemente o seu desenvolvimento ponderal e saúde, com vários episódios prévios de descompensação respiratória».

«O presente internamento deveu-se a um quadro de pneumonia com uma evolução rápida e grave, o que motivou a decisão de transferência para a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital de São João», lê-se naquele documento.

Na segunda-feira, fonte do gabinete do Ministério da Saúde disse à Lusa que a IGAS vai acompanhar as diligências que venham a ser realizadas no âmbito do procedimento de inquérito que foi instaurado pela ULSAM.