A comissão de trabalhadores dos estaleiros de Viana admitiu «repúdio» e «revolta» face à assinatura, esta sexta-feira, do contrato de subconcessão ao grupo Martifer, garantindo que a partir de agora encetará «outros caminhos» para parar o processo.

«Hoje é um sentimento, como tem sido nos outros dias, de revolta, de repúdio, por esta decisão», afirmou o porta-voz da comissão de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), pouco antes da assinatura, em Oeiras, Lisboa, do contrato de subconcessão dos terrenos e infraestruturas da empresa.

Ainda assim, António Costa ressalva que esta assinatura - cerimónia para a qual a comissão de trabalhadores foi convidada, mas não aceitou estar presente - «é apenas mais um ato administrativo» para «confirmar» a decisão que o Governo tomou.

«Mas é uma decisão que nos permite, a partir de agora, encetar outros caminhos para parar este processo da subconcessão, este crime social que querem fazer», enfatizou.

Na próxima semana deverá realizar-se novo plenário de trabalhadores na empresa, encontro que servirá para «concertar» as «várias possibilidades» de contestação em cima da mesa.

«Hoje não é um dia triste. Ao longo dos últimos dois anos, desde que nos retiraram o trabalho, todos os dias são tristes, porque a pior coisa que pode acontecer a um trabalhador, e acho que ao senhor ministro da Defesa também, é retirarem-lhe o trabalho», insistiu o porta-voz da comissão de trabalhadores.

«Eu gostava que o senhor primeiro-ministro colocasse o senhor ministro da Defesa numa sala, durante dois anos, para ver se ele se sentiria bem, psicologicamente, sem trabalho», rematou António Costa.