Meia centena de automóveis participou, este sábado, na «Marcha internacional do Guadiana pela livre circulação na A22 – Portagens Basta», convocada pela Plataforma Hispano-portuguesa Contra as Portagens na Via do Infante para a ponte entre o Algarve e a região espanhola da Andaluzia.

De acordo com a Lusa, perante um forte contingente policial luso-espanhol, os veículos partiram de Vila Real de Santo António e de Ayamonte (Espanha), em duas colunas, e concentraram-se no parque de estacionamento da ponte internacional sobre o Guadiana, principal ligação rodoviária entre Portugal e Espanha no sul, onde dirigentes da Plataforma e autarcas tomaram a palavra, para pedir a suspensão do pagamento de portagens na A22.

A Plataforma é composta pela Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) e pelo Bloco de Esquerda (BE), do lado português, e pelos partidos Podemos e Izquierda Unida, do lado espanhol, e tinha apelado à participação e ao largamento da base de apoio na luta contra as portagens, tendo hoje contado também com a presença de autarcas algarvios.

O presidente da Câmara de Tavira e da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Jorge Botelho, disse que decidiu estar em Vila Real de Santo António para assinalar a sua oposição às portagens, cuja introdução os autarcas algarvios sempre condicionaram à requalificação prévia da Estrada Nacional 125.

«Acho que as portagens não deviam ter sido introduzidas, por isso, qualquer coisa que se faça no sentido de diferenciar, diminuir ou suspender é positivo», disse, frisando que é necessário «fazer uma avaliação» dos impactos negativos que o pagamento de portagens na antiga autoestrada Sem Custos para o Utilizador (SCUT) do Algarve causou na economia da região.

Jorge Botelho considerou que o assunto deve «ser discutido» no sentido de encontrar formas de terminar com o pagamento na A22, que, através da ponte internacional sobre o Guadiana, faz a ligação à A49 espanhola, via de ligação entre Ayamonte, Huelva e Sevilha.

«Esta medida causou também transtornos nas relações transfronteiriças com Espanha e a Andaluzia, por isso também decidi marcar presença neste protesto», acrescentou o presidente da AMAL.

João Vasconcelos, dirigente da CUVI e um dos promotores da Plataforma, considerou que o protesto de hoje foi mais um passo na luta para acabar com o pagamento de portagens na A22, que disse ter «causado prejuízos económicos gravíssimos ao Algarve, a Ayamonte e à província espanhola de Huelva».

«Já fizemos muitas dezenas de protestos, de iniciativas, este é mais um, hoje contámos com a presença dos nossos amigos espanhóis e é para demonstrar que as portagens não têm viabilidade no Algarve», afirmou João Vasconcelos.

À semelhança do presidente da AMAL, João Vasconcelos criticou a falta de alternativas à A22, porque a Estrada Nacional 125 não foi requalificada como prometido, quando da introdução do pagamento, a 08 de dezembro de 2011.

O dirigente da CUVI e da Plataforma considerou, por isso, que é necessário «manter a luta ativa» para que o «próximo Governo tenha a coragem, já que este não tem, de suspender as portagens».