O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, mostrou-se confiante no dispositivo de combate a incêndios florestais, apesar de previsões apontarem que o próximo verão poderá ser «um dos piores de sempre».

«Aquilo que nós temos que fazer é preparar o dispositivo e este ano houve um conjunto de ações importantes, quer do ponto de vista do treino, quer do ponto de vista do reforço do dispositivo, para que as coisas corram melhor», afirmou Miguel Macedo em Sernancelhe, onde inaugurou, este domingo, as obras de reabilitação do posto da GNR.

O governante comentava aos jornalistas a notícia da edição de sábado do «Jornal i», segundo o qual «o verão de 2014 poderá vir a ser um dos mais complicados dos últimos anos em matéria de incêndios».

«A fase Charlie, o período mais crítico, começa dentro de três semanas e os bombeiros estão já a contar com a conjugação de dois fatores que costumam revelar-se problemáticos», refere o jornal, aludindo às temperaturas altas e aos combustíveis finos resultantes das fortes chuvas do inverno.

Miguel Macedo admitiu que em dias com centenas de incêndios ao mesmo tempo «é muito difícil, pela dispersão do dispositivo, responder com eficácia a todos esses incêndios», mas mostrou confiança no dispositivo.

«Vamos aguardar que não seja tão mau quanto a notícia ontem (sábado) pronunciava», afirmou, lembrando que no ano passado havia prognósticos de que o verão seria «o mais frio de muitas décadas, coisa que não aconteceu», tendo resultado num «conjunto de desgraças grandes».

Em resposta a críticas do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, sobre a falta de prevenção, Miguel Macedo referiu que ele «tem dito, e bem, que o conjunto do dispositivo que temos é bom e está preparado para cerca de 200 ignições/dia».

«Nós tivemos o ano passado perto de 400 em alguns dias, o que significa uma brutalidade do ponto de vista de ignições, um número verdadeiramente anormal, sendo que muitas dessas ignições aconteceram durante a noite», frisou.

Sem querer esconder «as dificuldades nesse domínio», o governante frisou que «a prevenção nos territórios mais em risco tem de ser contínua e de ser permanente, tentando evitar que situações dessas possam acontecer».

No que respeita à fiscalização da limpeza dos terrenos, Miguel Macedo também se mostrou otimista, até porque já foi aprovada a legislação que passa também para a secretaria-geral do Ministério da Administração Interna a aplicação efetiva das coimas.

«Era um problema que acontecia. Fazia-se o levantamento dos autos e depois, em muitos casos, não se pagava essas coimas. Temos que tornar isso mais efetivo para segurança de todos», acrescentou.