O Ministério da Saúde tinha previsto reforçar o Algarve com 67 médicos especialistas, entre 1 de junho e 30 de setembro, mas até ao momento ainda não conseguiu contratar nenhum, noticia o Público.

A ideia seria contratar através do mecanismo da mobilidade especial, mas não houve “uma adesão significativa”, disse ao jornal o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve. Paulo Morgado revelou que não chegou nenhum médico das várias especialidades pedidas: anestesiologia, cardiologia, medicina interna, nefrologia, neurocirurgia, neurologia, obstetrícia, ortopedia, pediatria, urologia e medicina geral e familiar.

Ainda é um pouco cedo para fazer um balanço final [o despacho está em vigor até 30 de setembro], mas não temos tido uma adesão significativa. Existiram várias candidaturas de medicina geral e familiar, mas os períodos e os horários não se enquadravam nas nossas necessidades. Para o hospital, tivemos uma candidatura até ao momento, mas que desistiu”, explicou ou Paulo Morgado.

Ao contrário dos anos anteriores, em que o despacho da mobilidade especial foi publicado no início de junho, este ano a medida só foi lançada a 26 desse mês.

Este programa começou em 2016, e a adesão registada “nunca foi muito grande”, mas o facto de o despacho ter sido publicado perto do final do mês de junho, quando nos anos anteriores foi no início, pode ter contribuído para o interesse reduzido, admitiu o presidente da ARS do Algarve. No primeiro ano deslocaram-se sete médicos e em 2017 foram quatro: quem vai recebe o mesmo ordenado, mas pode obter ajudas de custo entre 50 e 200 euros.

De acordo com o Público, o reforço de horas extraordinárias e o trabalho adicional em prestações de serviço, remunerados com valores acima das tabelas legais, é o que está a garantir a resposta à população.

Uma especialidade que, segundo o jornal, está especialmente desfalcada, no país todo e, ainda mais, no Algarve, é a anestesiologia, com o setor privado a pagar salários muito mais elevados com os quais o Serviço Nacional de Saúde não consegue concorrer.  Para servir a região existem 20 anestesistas, que se dividem em trabalho entre o setor público e o privado, mas "faziam falta outros tantos”, referiu Paulo Morgado.

Ministério da Saúde admite rever atrativos 

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, admitiu esta segunda-feira, no Porto, que o Governo vai repensar a fórmula para atrair jovens médicos para o Algarve, depois do plano de mobilidade especial ter falhado.

O governante deu conta dessa intenção em declarações à margem da inauguração da Unidade de Cuidados Paliativos de Elevada Diferenciação do Centro Hospitalar São João, no Porto.

Confrontado com o insucesso do plano para dotar aquela região de mais 67 médicos, o secretário de Estado prometeu resposta por parte do Ministério.

"Vamos tentar, acima de tudo, voltar a olhar para a questão dos incentivos, da forma de reflexão e captação dos recursos", disse Fernando Araújo, lembrando ser o Algarve "uma área muito carenciada" onde houve "muita dificuldade ao longo dos últimos 10, 15 anos em conseguir captar e fixar" profissionais de saúde.

“Temos, portanto, de pensar muito bem em toda a forma de incentivos, de modo a alterá-los e torná-los atrativos para que jovens especialistas queiram iniciar um projeto de vida no Algarve”, reforçou.