A irmã do luso-venezuelano Vasco da Costa denunciou, nesta terça-feira, que o politólogo,  além de estar ferido, está a passar fome continuamente, tendo perdido 42 quilos desde que foi preso, a 24 de julho de 2014, na Venezuela.

"Não há alimentos e, apesar de não terem batido no meu irmão, batem brutalmente nos réus, com paus e fazem o que querem. O Vasco tem menos 42 quilos [do que quando entrou na prisão]. Nesse lugar não dão alimentos. Todos os presos estão famintos", disse Ana Maria da Costa à agência Lusa.

Filho de emigrantes madeirenses e de um antigo vice-cônsul de Portugal, Vasco da Costa foi detido a 24 de julho de 2014. É acusado de vários delitos relacionados com terrorismo e é tido como preso político por várias organizações não governamentais.

A irmã contou, também, que durante o motim ocorrido na segunda-feira, em que pelo menos três pessoas morreram e 43 ficaram feridas, Vasco da Costa foi ferido com tiros de borracha, no braço direito e numa nádega, por funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar).

"Não estou a dizer mentiras, estou a dizer o que aconteceu. O ataque foi brutal, asfixiaram o meu irmão, com gás lacrimogéneo, aturdiram-no com granadas de ruído e depois deram-lhe com 'perdigones' [tiros de borracha], disparados de muito perto", relatou.

Ana Maria da Costa contou que foi informada, por telefone, que o irmão está estável e internado numa ala médica para tratamento de feridas.

"Quase que os matam a todos. O Centro de Reclusão para Processados Judiciais 26 de Julho virou realmente um campo de batalha. Alguns não ficaram com mais ferimentos porque outros presos os puxaram para dentro [das celas]", frisou.

Vasco da Costa, 56 anos, foi detido a 24 de julho de 2014, e acusado de estar relacionado com uma farmacêutica que alegadamente estaria envolvida em planos para desenvolver engenhos explosivos caseiros, durante os violentos protestos que ocorreram no primeiro semestre de 2014, contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

Segundo a irmã, foi acusado dos delitos de terrorismo, associação para cometer delito com fins de terrorismo, fabrico ilegal de explosivos para fins terroristas e ocultação de munições.

"Este caso é uma injustiça. Noutros casos há 'guarimbas' [ações violentas], pessoas que queimam algo, mas neste caso não há absolutamente nada, nem terroristas, nem bombas, nem podia haver associação para cometer delito sem conhecer a outra pessoa", frisou.

Vasco da Costa participou como candidato, nas eleições parlamentares de 6 de dezembro último, sem no entanto obter votos suficientes para ser eleito deputado.

A sua candidatura teve o apoio do partido Nova Ordem Social, presidido pela luso-venezuelana e ex-candidata presidencial Venezuela Portuguesa da Silva.