O vereador das Obras Municipais da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, afirmou esta quarta-feira que, dos 17 radares existentes na cidade, apenas cinco “estão em funcionamento”, estando outros tantos “em manutenção”.

Durante uma reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa, o vereador afirmou que “cinco radares estão em funcionamento e cinco estão em manutenção” devido a vandalismo, num “conjunto de 17” aparelhos de controlo de velocidade existentes.

Numa informação escrita enviada à agência Lusa em janeiro de 2015, a autarquia indicou que a rede de radares na cidade, que impõem limites de 50 ou 80 quilómetros/hora, compreendia as avenidas da Índia, Brasília, Infante D. Henrique, Marechal António Spínola, da República (Entrecampos) e das Descobertas, a Radial de Benfica, o Campo Grande, a Segunda Circular e os túneis do Marquês de Pombal e João XXI e referiu que cada eixo tem “um ou mais radares instalados”.

Manuel Salgado acrescentou que a operacionalização da aplicação de multas a quem circular a uma velocidade maior do que a permitida nestes troços está “ultrapassada há cerca de um mês e meio”.

Após ter anunciado na segunda-feira que a Segunda Circular iria ter “uma bateria de radares” após a requalificação agendada, Manuel Salgado afirmou que o “projeto prevê a instalação de mais radares que os que existem neste momento para controlar a velocidade de circulação”, não especificando um número concreto.

“Por mim estou confiante de que será um sucesso a intervenção que vamos fazer, não tenho dúvidas de que o sistema de controlo de velocidade funcionará em pleno”, vincou.

O vereador da autarquia de maioria socialista respondia ao vereador do PSD António Prôa, que revelou ter “feito um circuito” que permitiu concluir que “menos de metade dos radares de Lisboa funcionam em pleno”.

Para o vereador da oposição, o funcionamento destes aparelhos é “crónico e deficiente” e um “sistema que deveria cumprir função não cumpre”.

“Na ausência de um sistema de radares a funcionar, somos levados a temer o pior quanto à Segunda Circular”, criticou.

Também em debate estiveram as Zonas de Emissões Reduzidas (ZER), com António Prôa a considerar que a “qualidade do ar não melhorou” nestas áreas.

“A iniciativa não atingiu os objetivos e só serviu para piorar a qualidade de vida dos cidadãos”, considerou.

O vereador Manuel Salgado admitiu ser “difícil de assegurar o controlo relativamente aos veículos que não cumprem condições para circular nas ZER”, explicando que “o controlo é pontualmente feito pela PSP”.

Para o autarca, o principal problema “não é incumprimento”, mas sim “o aumento dos veículos ligeiros que circulam em Lisboa”.

As ZER foram criadas em 2011 para diminuir as emissões poluentes em Lisboa. Desde 15 de janeiro de 2015 que os carros com matrículas anteriores a 2000 passaram a estar proibidos de circular, entre as 07:00 e as 21:00 dos dias úteis, no eixo da Avenida da Liberdade à Baixa (chamada zona 1).

Os carros com matrículas anteriores a 1996 ficaram impedidos de circular na zona 2 (definida pelos limites da Avenida de Ceuta, Eixo Norte-Sul, Avenidas das Forças Armadas, dos Estados Unidos, Marechal António Spínola, do Santo Condestável e Infante D. Henrique).