Entre a cabra-cega, o pé atado, o jogo da malha, o pião, corridas de sacos e jogos de cartas, milhares de crianças das escolas de Valongo estão a contribuir para a preservação dos jogos tradicionais portugueses.

O derradeiro objetivo da iniciativa realizada pela Associação das Coletividades do Concelho de Valongo (ACCV), em colaboração com a câmara, será trazer para Portugal, em 2020, um encontro de confederações de jogos tradicionais europeus, pelo que as atividades lúdicas deverão repetir-se nas freguesias valonguenses de Sobrado, a 17 de março, e de Alfena, entre 04 e 05 de abril.

"Este é um projeto tão simples, mas ao mesmo tempo tão poderoso, no sentido de preservar a memória dos jogos tradicionais dos nossos pais e avós", disse à Lusa o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, reclamando que às crianças não basta "só os joguinhos de computador ou os tablets"

"Ajuda-nos a preservar a memória enquanto fazemos pedagogia", reforçou o autarca, lembrando ainda que "grande parte do brinquedo tradicional português foi feita no concelho de Valongo, designadamente em Alfena e Ermesinde."

A iniciativa, segundo o dirigente da ACCV, Joaquim Oliveira, partiu de uma entidade ainda mais abrangente, a Confederação Portuguesa de Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, que apoia também a candidatura dos jogos tradicionais europeus a património imaterial da Humanidade.

"Estão identificados e estudados cerca de 100 jogos tradicionais e populares", explicou Joaquim Oliveira, ressalvando que a atividade realizada em Valongo envolveu apenas 25 brincadeiras, todas incluídas no projeto editorial "100 Jogos Tradicionais 100% Futuro", em que se elenca e ilustra as mais representativas da infância portuguesa.

"O nosso país é rico em jogos tradicionais e é por isso que foi feito um protocolo a nível europeu com a nossa Confederação que prevê que, em 2020, seja realizado em Portugal um encontro europeu com outras federações de jogos tradicionais de vários países-membros", contou o presidente da ACCV.

Joaquim Oliveira, de 66 anos, lembra-se de quando tinha apenas oito, numa altura em que "os jogos tradicionais mais populares eram a corrida de sacos e a cabra-cega, que antes jogava-se com um cântaro, que entretanto foi proibido, porque rachava-se muitas cabeças com os cacos, pelo que agora usa-se um balão."

À ameaça dos videojogos e outras atividades digitais, o presidente da ACCV contrapõe a intemporalidade dos jogos tradicionais que divulga: "Eu fui presidente de uma associação de jogos tradicionais que foi criada em 1976 e que durou 34 anos. Se, depois destes anos todos, se continua a jogar com ainda mais animação, estou convencido que estes jogos têm mesmo futuro", disse à Lusa.