O processo de escolha de vagas para especialidade médica deixou, este ano, 158 médicos de fora, que foram confrontados com a impossibilidade de concluírem a sua formação, alertou esta segunda-feira a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM). O processo de escolha de vagas para internato decorreu de 1 de junho até hoje

Em comunicado, a ANEM refere que, a somar aos 158 médicos que ficaram sem acesso a especialidade, estão 213 candidatos que anteciparam a não colocação na especialidade pretendida com a sua desistência.

“Ao todo, terminámos este processo de escolha de vaga para especialização com um total de 371 médicos indiferenciados, cujas alternativas são repetir o exame ou emigrar. Seja qual for a escolha, nenhuma delas é positiva, dado que, na primeira, estaremos a agravar o problema para o próximo ano e, na segunda, a desperdiçar o investimento feito na formação. Poderão alternativamente optar por exercer como indiferenciados, mas nesse caso é o Sistema de Saúde que sai prejudicado”, considerou André Fernandes, presidente da ANEM.

A ANEM lembra que, até 2015, ano em que, pela primeira vez, se registou um número superior de candidatos para o número de vagas existente, o acesso à especialidade era garantido para todos os médicos candidatos.

A Associação destaca que o processo de formação médica não se esgota na pré-graduação, devendo ser completada a nível pós-graduado, através do Internato Médico.

"A ANEM lamenta profundamente que o contrário se verifique, considerando que tal situação não só é problemática para os jovens médicos, que após sete anos de investimento na sua formação são confrontados com a impossibilidade de a terminarem, como para a sociedade em geral, dado que a criação de médicos indiferenciados terá, inevitavelmente, a médio prazo, consequências graves e diretas na prestação de cuidados de saúde em Portugal”, adianta o comunicado.

A ANEM revela que entregou, a 3 de março, uma proposta de Planeamento Integrado da Formação Médica em Portugal, onde se encontram explanadas e fundamentadas as principais barreiras existentes a uma formação médica de qualidade.

“As entidades competentes não podem continuar a ignorar a situação. É crucial que tomem medidas, no imediato, para maximizar as capacidades formativas pós-graduadas minimizando, a curto prazo, o impacto negativo da má-gestão que temos vivenciado", diz a ANEM.

A associação entende que a génese do problema está no "desproporcionado aumento dos ingressos nos cursos de Medicina, que continuarão a resultar em graves problemas, quer com a incapacidade formativa das Escolas Médicas, colocando em causa a qualidade do ensino ministrado e a dignidade dos doentes, quer com a posterior falta de vagas para especialização para todos os médicos formados, continuando a gerar médicos indiferenciados".

Desta forma, conclui que "é urgente atuar também a este nível”.