A Unidades de Saúde Familiar – Associação Nacional (USF-AN) divulgou, esta terça-feira, que o número de médicos que emigra ou tenciona emigrar está a aumentar “drasticamente”, o que conduz à degradação dos Cuidados de Saúde Primários.

O presidente da Comissão Organizadora do 7.º Encontro Nacional da USF, João Rodrigues, afirmou que 387 médicos especialistas emigraram em 2014, sendo que 65% tencionam fazer o mesmo quando terminarem a especialização.

De acordo com a Lusa, a desmotivação, razões financeiras e falta de oportunidades de trabalho são as três principais razões identificadas pelo responsável, para que os médicos procurem emprego "fora de portas".

João Rodrigues salientou também a “urgência” de o Governo fixar os médicos no país, porque são necessários e “custaram” dinheiro ao erário público, frisando ainda que os concursos de colocação são “lentos e muito burocráticos”.

“Se é para esperar um ano, é natural que os médicos prefiram sair do país”, garantiu.


O presidente da direção da USF-AN, Bernardo Vilas Boas, reforçou que os Cuidados de Saúde Primários estão ameaçados, sendo necessário tomar medidas no setor.

A restrição ao número de USF é outro dos problemas, em 2014 estava prevista a abertura de 50 unidades, sendo que apenas 25 abriram. Em 2015, estão estimadas 33.  

“É um número insuficiente, além de que demonstra o desinvestimento nas USF”, referiu o presidente da direção.