Meia centena de pessoas concentraram-se esta quarta-feira numa vigília promovida pelas comissões de utentes de saúde da Amadora e de Sintra para reclamar o reforço de meios humanos no Hospital Fernando Fonseca.

«Isto não é só um problema das urgências, mas de todos os serviços», denunciou António Tremoço, da Comissão de Utentes da Saúde da Amadora, lamentando a falta de médicos e enfermeiros numa unidade que foi construída para servir a população de um concelho e não consegue dar resposta a dois municípios, que somam um total de 552 mil habitantes.

António Tremoço explicou que a vigília visou «exigir ao Governo para repor os meios humanos que estão em falta na unidade de saúde" e não continuar com uma política de "destruição do Serviço Nacional de Saúde [SNS]».

Paula Borges, da Comissão de Utentes da Saúde do Concelho de Sintra, reforçou a necessidade de se «continuar a exigir a construção de um hospital público em Sintra» e recusar o corte de 300 milhões de euros no orçamento do SNS.

A representante dos utentes reclamou que o Governo reponha os meios humanos em falta no hospital de Amadora-Sintra (denominado Fernando Fonseca), que contabilizou em menos de 30 médicos e cerca de 100 enfermeiros.

«Degradar o SNS, torná-lo menos acessível à maioria dos portugueses é desumano e visa a sua entrega faseada ao setor privado», lia-se num manifesto assinado pelas duas comissões de utente que a Lusa cita.

No documento lamentava-se as «mais de 12 horas de espera no serviço de urgência» e a demissão da direção destes serviços. A demora em consultas de especialidade que permitam salvar vidas é outra das queixas dos utentes.

A deputada Paula Santos considerou essencial a unidade das populações em defesa do setor da saúde, «para travar esta política de desmantelamento do SNS» promovida pelo Governo. A parlamentar garantiu aos manifestantes que, na Assembleia da República, o PCP continuará a lutar para que o SNS não seja entregue aos privados.

Uma hora após o início da vigília, pelas 19:00, representantes das duas comissões deram como concluída a ação de protesto com a entrega, à administração do Hospital Fernando Fonseca, de uma carta com as reivindicações destinadas a melhorar o serviço prestado aos utentes.