A presidente da administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) admitiu esta sexta-feira externalizar a globalidade do serviço de Urgência do hospital, sediado em Santiago do Cacém, para resolver o problema da falta de médicos.

De acordo com a presidente da ULSLA, Maria Joaquina Matos, o «'outsourcing' global» daquele serviço do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), à semelhança do que acontece em «grande parte» dos hospitais espanhóis, é uma das alternativas que têm vindo a ser discutidas no seio da entidade.

No entanto, referiu a administradora, a proposta «não é consensual por várias razões, inclusive por interesses instalados». Maria Joaquina Matos falava hoje aos jornalistas no seguimento da recusa dos médicos que «têm assumido» a chefia das equipas do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica (SUMC) do HLA em continuar a assumir o cargo, decisão que deram a conhecer ao diretor clínico, na quinta-feira, através de um abaixo-assinado.

Os clínicos alegaram «degradação contínua das condições de trabalho, quer em termos de falta de material, quer em termos de falta de pessoal», mas a administração da ULSLA reconhece apenas a carência de recursos humanos.

No que diz respeito aos chefes de equipa, Maria Joaquina Matos afirmou que os mesmos transitaram da anterior administração do HLA e que, portanto, não foram nomeados pelo atual conselho de administração da ULSLA, constituída há pouco mais de dois anos, pelo que, na prática, não podem «apresentar demissão».

A lista de novos chefes de equipa do SUMC é, aliás, segundo a responsável, um dos 16 assuntos que estão a ser analisados e discutidos desde março de 2013, uma vez que, a «alguns desses elementos» [os subscritores do abaixo-assinado], não é reconhecida, pelo diretor clínico, «capacidade de chefia».

Para a administradora, a ação dos médicos, que não confirmou se seriam 14 ou 16, representou «um alerta positivo» para o facto de o corpo clínico do HLA estar «permanentemente em esforço» para cobrir as falhas no SUMC.

Maria Joaquina Matos manifestou-se «tranquila» em relação à situação, tanto mais que, entre quinta-feira e hoje, a chefia das equipas de Urgência continuou a ser assumida pelos mesmos médicos.