O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve anunciou a abertura de um inquérito para averiguar se houve responsabilidade de algum profissional num desentendimento com um utente, na urgência de Faro, na madrugada de sexta-feira, disse o presidente.

Pedro Nunes explicou à agência Lusa que, na sexta-feira, às 03:00, houve um “utente que protestou com mais agressividade” pelo tempo de espera na urgência e isso obrigou a que fosse chamada a polícia para acalmar os ânimos.

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) considerou que esse tempo de espera é “normal” para pessoas que na triagem de Manchester são classificadas com a pulseira verde, a que é colocada a utentes que sofrem problemas de menor gravidade e que, segundo Pedro Nunes, “devem ser tratados em centros de saúde”.

“Mas as urgências recebem pessoas diferentes, umas com mais calma, outras com menos paciência, uns com mais álcool no sangue, outros com menos, e estas situações acabam por acontecer. Tudo ficou resolvido, as informações de que dispomos apontam para um ‘quid pro quo’ [expressão latina que significa “tomar uma coisa por outra”], mas mesmo assim vamos ordenar na segunda-feira a abertura de um inquérito para apurar se houve ou não responsabilidade de algum profissional”, afirmou Pedro Nunes.

O responsável da administração do centro hospitalar reconheceu que “o segurança que estava de serviço também pode não ter tido a maior calma” e a escalada de agressividade levou à chamada da polícia, que “acalmou os ânimos” e “resolveu a situação”, que se deu quando “dois dos médicos que estavam de serviço nas urgências se encontravam a realizar um período de descanso e um tinha ficado atender”.

Na sexta-feira, fonte do CHA tinha dito à Lusa que “não tinha havido desacatos” nas urgências durante a madrugada e “apenas tinha havido um utente que protestou agressivamente pelo tempo de espera”, obrigando os profissionais de serviço a chamar as autoridades.

Já hoje, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve anunciou que “as equipas em serviço nas urgências do Hospital de Faro foram reforçadas para fazer face à procura e eventual acréscimo de afluência de utentes àquela unidade”.

Em comunicado enviado à Lusa, a ARS precisou que esta medida foi tomada de imediato na sequência de uma notícia veiculada na comunicação social, na sexta-feira, dando conta de um alegado “caos nas urgências do Hospital de Faro”.

A ARS disse ainda que o CHA - que integra as unidades hospitalares de Faro, de Portimão, de Lagos e os Serviços de Urgência Básicos de Albufeira, Loulé e Vila Real de Santo António - está a monitorizar a afluência, para assegurar que todas as unidades de saúde estão preparadas para, em caso de necessidade, “responder de forma articulada” a um aumento de procura nos próximos dias.