O bastonário da Ordem dos Médicos responsabiliza o Ministério da Saúde pelo caos nas urgências do Hospital Amadora-Sintra, que está sem capacidade de resposta até 4 de janeiro. Em entrevista na TVI24, José Manuel Silva atribui a situação à «asfixia financeira» imposta aos hospitais e diz que, no caso do Amadora-Sintra, o que se passou foi «inacreditável e terceiro-mundista».
 

«O hospital Amadora-Sintra está subdimensionado para a população que serve e esta situação é recorrente. Portanto, devia haver medidas tomadas pelo Ministério da Saúde para prevenir estas situações, primeiro dotando o Amadora-Sintra de recursos humanos suficientes para o funcionamento regular da sua urgência (as equipas para o funcionamento regular já estão abaixo daquilo que seriam os níveis mínimos) e, por outro lado, permitindo que o hospital tivesse a flexibilidade de gestão suficiente e os meios financeiros para tal para reforçar os meios humanos do serviço de urgência em situações previsíveis como as que acontecem agora: há frio, há maior procura e os cuidados de saúde primários [centros de saúde] estão encerrados», afirma o bastonário.


José Manuel Silva alerta que os recursos humanos no Amadora-Sintra são insuficientes não só a nível médico, mas também a nível de enfermagem e a nível de assistentes técnicos, por causa da asfixia financeira dos hospitais.

«É necessário que esta situação, que é previsível, seja atempadamente prevenida e as urgências sejam reforçadas na sua capacidade de atendimento, particularmente numa zona em que todos os anos acontece a mesma coisa. É isso que torna isto inacreditável e terceiro-mundista. É que esta situação repete-se todos os anos sob responsabilidade do Ministério da Saúde», critica.