Os presidentes das câmaras de Loulé e São Brás de Alportel estão esta quarta-feira em protesto frente à entrada da Urgência Básica de Loulé onde a falta de médicos tem impedido o atendimento dos utentes daqueles concelhos.

Há vários meses que vêm a público notícias de rutura de pessoal e material no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé e, esta terça-feira o SUB esteve impedido de abrir entre as 08:00 e as 09:15 por falta de médicos, situação que se repetiu hoje das 08:00 às 11:20, confirmou a Lusa no local.

«As carências são muitas ao nível de materiais, de pessoal e penso que já chega, temos de dizer basta», disse o presidente da câmara de São Brás de Alportel, Vitor Guerreiro (PS).

O serviço reabriu ao público, em ambos os dias, quando um médico do Centro de Saúde de Loulé é transferido para o local, obrigando ao cancelamento e remarcação de consultas, em alguns casos para o final de agosto.

Na base do problema está uma luta para a atribuição de responsabilidade dos SUB algarvios entre a Administração Regional de Saúde e o Centro Hospitalar do Algarve (CHA).

Apesar do despacho do Ministério da Saúde no final de maio, que passa a responsabilidade de gestão daqueles serviços para o CHA, o presidente do conselho de administração, Pedro Nunes, tem vindo a afirmar que aquele centro hospitalar só vai assumir os SUB quando forem transferidas verbas para o efeito.

Enquanto a situação não é resolvida, a câmara de Loulé tem vindo a empenhar esforços e meios para resolver situações pontuais, tendo Vitor Aleixo explicado que o município já forneceu tinteiros para as impressoras do Centro de Saúde de Quarteira, paga os postos de atendimento do interior do concelho, tem disponibilizado viaturas para as consultas de ambulatório e vai passar a pagar, pelo menos num caso, a deslocação de médicos para o interior do concelho.

«Nós tapamos buraquinhos porque achamos que o devemos fazer para resolver situações pontuais, mas isto não precisa de resolução de situações pontuais, precisamos de alterações profundas», acrescentou Vitor Aleixo.

«Esta situação arrasta-se e é uma situação extrema. Para situações extremas, respostas equivalentes e à altura», disse o presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo (PS).

Segundo autarca, «o braço de ferro» vai durar até que o Ministério da Saúde dê garantias concretas.

O mapa de pessoal do SUB de Loulé contempla 11 médicos, 16 enfermeiros, seis assistentes técnicos e seis assistentes operacionais, mas de acordo com um comunicado hoje divulgado pelos deputados do PCP, tem atualmente sete enfermeiros, mais dois cedidos pelo Centro de Saúde de Loulé desde 01 de junho, dois assistentes técnicos e quatro assistentes operacionais.

Os turnos da noite são assegurados por dois médicos por turno do Centro de Saúde de Loulé e os turnos do dia que até 01 de abril eram assegurados por médicos cubanos e por empresas de trabalho temporário, passou a contar apenas com os profissionais enviados pelas empresas de trabalho temporário, resultando nas dificuldades denunciadas.

«Há muitos [médicos] contratados por empresas que a Administração Regional de Saúde contrata para prestar serviços de saúde nos Centros de Saúde que estão em situação ilegal, sem contratos, sem direitos», contou o presidente da Câmara de Loulé, Vitor Aleixo (PS).

O presidente da câmara de São Brás de Alportel vincou que os problemas vividos naquele serviço em Loulé ainda que mais acentuados também são vividos noutros serviços da região, dando como exemplo a falta de auxiliares no SUB de Albufeira.

«Se ouvirmos o que é transmitido pelo Ministério da Saúde, aquilo que ouvimos deixa-nos tranquilos porque a mensagem que passa é que são situações pontuais, que não está tão mal como aquilo que se diz e algumas situações que estão menos bem vão ser resolvidas de imediato», concluiu o autarca de São Brás de Alportel.