O presidente do conselho geral da Universidade da Beira Interior alertou hoje para o «risco» de o acesso ao Ensino Superior voltar a ser um privilégio apontando a necessidade de desenvolver o financiamento e de mais bolsas de estudo.

Em Braga, à margem do primeiro encontro de presidentes dos conselhos gerais das universidades portuguesas, Paquete de Oliveira afirmou que desde a reforma empreendida por Veiga Simão, ministro da Educação de Marcelo Caetano que o «aval» para o acesso ao Ensino Superior não era a «questão financeira».

No mesmo momento, Laborinho Lúcio, presidente daquele órgão da Universidade do Minho, afirmou que as universidades não podem ser «condicionadas» por cortes de financiamento «marcados pela conjuntura» porque essa situação pode «vir a criar efeitos particularmente graves» no futuro.

«Neste momento não falta só financiamento para as universidades mas falta também financiamento para os próprios alunos. Há muitos que não conseguiram entrar por falta de condições económicas e há outros que durante o ano vão desistir por falta de condições financeiras», afirmou Paquete de Oliveira.

Segundo este antigo professor universitário, é «preciso desenvolver o financiamento aos próprios candidatos com o aumento de bolsas» de estudo.

Questionado sobre se o acesso ao Ensino Superior pode voltar a ser um privilégio, Paquete de Oliveira respondeu afirmativamente, dizendo que os «condicionamentos» financeiros «por arrasto levam a isso».

Aliás, referiu, «desde a reforma de Veiga Simão, ainda no Estado Novo e que criou as universidades e politécnicos por todo o país para facilitar o acesso» ao ensino superior que não se «discute» como «aval» para entrar na universidade a questão financeira.

«Neste momento, julgo que se corre o risco de serem aqueles que, por ventura têm melhores condições financeiras, vão concorrer às universidades», disse.

A questão do financiamento e dos cortes no Ensino Superior foi também abordada por Laborinho Lúcio, que avisou que «os cortes vão repercutir-se de uma forma negativa e preocupante naquilo que é a prestação das próprias universidades».

Segundo o ex-ministro de Cavaco Silva, «as universidades são instituições que não podem ser consideradas numa perspetiva conjuntural» uma vez que «são verdadeiros pilares do pensamento e do conhecimento».

Por isso, defendeu, «não podem ser condicionadas por cortes de financiamento marcados pela conjuntura, têm de ser projetados os efeitos negativos que daí podem advir no médio e longo prazo».

Assim, aconselhou, «considerando que a situação do ponto de vista global do país é preocupante e a aceitação de cortes acaba por ter que se reconhecer como necessária, ela todavia deve ser temperada» no que concerne ao Ensino Superior.

«Que não venhamos, com algumas poupanças, pequenas, conseguidas no presente, a criar efeitos particularmente graves no futuro», alertou.