O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas(CRUP) disse, esta segunda-feira, que a crise evidenciou a qualidade da formação universitária do país, que tem sido reconhecida a nível internacional, e resultou na procura de formados nas instituições nacionais no estrangeiro.

“A crise mostrou que a formação universitária portuguesa é muito boa”, declarou António Cunha aos jornalistas antes da realização da reunião do CRUP, que decorre hoje no Funchal.

O reitor da Universidade do Minho sublinhou que a formação facultada pelas universidades portuguesas “tem um grande reconhecimento internacional" e que "vários países estrangeiros, europeus, procuram licenciados, mestres, doutores em Portugal devido à consciência que tomaram da qualidade da formação que é dada nas universidades portuguesas”.

Para esta situação, referiu, contribuiu o facto de muitas pessoas terem emigrado por causa da crise financeira que o país atravessa, pois “conseguiram situações interessantes lá fora porque tinham formação adequada”.

Sobre os assuntos que estarão em análise na reunião no Funchal, António Cunha mencionou as questões relacionadas com o financiamento, os orçamentos para este ano e o próximo, a avaliação das unidades de investigação, que é um processo em curso, as relações internacionais e o projeto de internacionalização das universidades portuguesas que o CRUP pretende lançar, sem adiantar mais pormenores.

O responsável destacou ainda os problemas causados pelas “reduções significativas da dotação feita em sede de Orçamento de Estado” para as universidades, salientando que o “nível de financiamento é muito baixo” e se coloca igualmente a nova da questão da fórmula como essa verba é distribuída pelas diversas instituições.

“O Governo apresentou recentemente uma nova proposta para fazer essa repartição e essa proposta tem estado a ser discutida. Neste momento, a nossa expetativa é que haja uma razoável convergência entre a proposta do Governo e a do CRUP”, sublinhou.

O reitor considerou que o subfinanciamento das universidades “tem várias consequências negativas”, que classifica de “bombas relógio”, entre as quais o envelhecimento do quadro docente e as grandes contenções em despesas de manutenção dos edifícios, assegurando que as instituições tem feito “alguns milagres” para que a qualidade do ensino não seja afetada.

Questionado sobre se as dificuldades financeiras estavam a colocar em risco a continuidade de algumas universidades, António Cunha respondeu: “Penso que seria muito mau se essa situação se colocasse, porque as universidades, mesmo aquelas de menor dimensão são extremamente importantes para as regiões” e são essenciais para uma política integrada de coesão do território.

Sobre o problema da redução na atribuição de apoios sociais para evitar o abandono das universidades, referiu que “depois de uma evolução muito negativa que aconteceu em 2011 e 2012, com grande decréscimo do número de bolsas de estudo(…), com as várias correções feitas pelo Governo, nomeadamente a relativa aos estudantes cujos agregados familiares tinham dividas ao fisco e Segurança Social, permitiu recuperar os níveis próximos do que de 2011”.