As propinas dos 15 melhores alunos de Engenharia Civil da Universidade do Minho (UMinho) vão ser integralmente pagas por empresas, numa medida para inverter o «preocupante decréscimo» de procura do curso resultante da crise, foi divulgado esta sexta-feira.

O diretor do curso, Jorge Pais, explicou à Lusa que também vão ser celebrados protocolos com universidades do Brasil, Colômbia e Perú pelos quais os alunos, no final do curso, obterão diplomas duplos, que lhes permitirão exercer também naqueles países estrangeiros.

«Em 2013, na Universidade do Minho apenas se inscreveram em Engenharia Civil cerca de 25 alunos, um quinto da média normal, um cenário preocupante para as empresas de construção, que, se a tendência se mantivesse, daqui a uns cinco anos não teriam engenheiros suficientes para a sua atividade», referiu Jorge Pais.

Para tentar contrariar esta tendência, a UMinho estabeleceu parcerias com empresas de construção civil, que garantem que os 15 melhores alunos que este ano se matricularem em Engenharia Civil vão ter as propinas pagas durante os cinco anos do curso.

Está desde já assegurado que a medida será replicada nos dois anos letivos seguintes.

No total, serão atribuídas 225 bolsas, numa medida que tem um alcance financeiro de 250 mil euros.

Em relação aos protocolos com universidades do Brasil, Colômbia e Peru, eles preveem que os alunos da estudem quatro anos na UMinho e um naqueles países.

No final do curso, ficam com um diploma emitido pelas duas universidades que frequentaram, ficando assim automaticamente habilitados a exercer a profissão no país estrangeiro onde estudaram.

Os incentivos da UMinho à procura da Engenharia Civil estendem-se ainda à empregabilidade, que aquela academia aposta em manter em valores acima dos 90 por cento.

Por isso, a universidade celebrou protocolos com as principais empresas de engenharia/construção do norte do país, que permitem estágios profissionais e remunerados a boa parte dos seus finalistas, seja na área da construção seja na área da reabilitação.

«A crise e as constantes notícias do decréscimo da construção podem ser uma explicação para a menor procura do curso, mas também acontece que os alunos estão muito virados para áreas que dão menos trabalho, que são mais fáceis. Mas penso que estas medidas podem ajudar as coisas a voltarem à normalidade», frisou Jorge Pais.

De acordo com este responsável, há três anos, em todo o país, inscreveram-se 1600 alunos em Engenharia Civil, mas no último ano letivo foram apenas 250.