O presidente da Associação Académica da Universidade de Évora, Paulo Figueira, considerou hoje que em Portugal se usa a crise «como desculpa para não investir» na Educação, o que representa «um péssimo ato de governação».

«Esta mensagem tem que passar para a sociedade. É um péssimo ato de governação não investir no ensino», pois este setor «tem retorno económico e social», argumentou.

O presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE) discursava durante a sessão solene do Dia da Universidade, que marcou o arranque oficial do ano letivo e que decorreu no Colégio do Espírito Santo da academia alentejana.

Paulo Figueira aludiu a um relatório da Comissão Europeia, intitulado «Education and Training Monitor 2012», para sustentar que «gastar dinheiro em formação superior é um bom investimento».

Só que, frisou, para justificar o desinvestimento nesta área «usa-se a crise como desculpa», ainda que os dados constantes do mesmo relatório mostrem que a realidade não é assim.

Em 2009, apesar de «a maioria dos países europeus» se encontrar «em recessão», disse Paulo Figueira, «todos eles mantiveram ou aumentaram a investimento em Educação, exceto Portugal e a Roménia».

«Trata-se claramente de uma estratégia política. Uns decidem investir em Educação para ultrapassar a crise e as dificuldades, outros usam a crise como desculpa para não investir em Educação», criticou.

Para o presidente da AAUE, «infelizmente, Portugal encontra-se neste último grupo».

Com críticas ao atual regulamento de atribuição de bolsas de estudo, Paulo Figueira defendeu também a reforma de vários aspetos da ação social escolar e o repensar da forma de acesso ao ensino superior, que não devia assentar apenas «na média do secundário», mas igualmente ser fruto de «uma análise curricular».

Em relação à academia alentejana, o presidente da associação académica pediu ao reitor, Carlos Braumann, presente na mesma cerimónia, que baixe as propinas este ano.

«Três euros por mês», disse, poderiam «não ser nada», mas hoje em dia os estudantes estão confrontados com «muitos três euros», pelo que essa descida faria a diferença.

Já antes, na intervenção proferida na sessão, o reitor da Universidade de Évora havia revelado que, devido à crise económica instalada no país, a academia decidiu «não proceder» este ano «à atualização da taxa de inflação prevista na lei das propinas».

Por isso, «ao contrário do que sempre sucedeu no passado, não estamos a praticar a propina máxima», divulgou Carlos Braumann.