Os estudantes do ensino superior queixam-se de atrasos na atribuição de bolsas de estudo devido a problemas informáticos que o Ministério da Educação garante estar a tentar corrigir para minimizar o impacto.

No início de dezembro, a plataforma de gestão do sistema de bolsas avariou e ainda estão a recuperar o repositório dos documentos digitalizados, segundo informações avançadas hoje à Lusa pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC).

O MEC garante que continuam «integralmente disponíveis todas as candidaturas à bolsa de estudo, submetidas antes e depois da referida avaria técnica, bem como a informação registada na base de dados referente aos candidatos, à sua situação académica, à composição do agregado familiar e aos rendimentos do mesmo, bem como aos pagamentos feitos e a fazer».

Os alunos, no entanto, dizem que ainda há problemas e estão a alertar para os casos de estudantes em que parte das bolsas serve para «cobrir despesas diárias».

«Existem documentos que desapareceram e outros dados que estão corrompidos e dão erro, ou seja, não se consegue abrir o documento ou não aparece qualquer informação no documento. Muitos alunos pediram a bolsa em setembro e ainda estão a aguardar uma resposta», contou Daniel Monteiro, presidente da Federação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP).

Até à passada segunda-feira havia cerca de 14 mil processos que tinham informações em falta, num universo de quase 86 mil pedidos de bolsa, segundo dados da Direção Geral do Ensino Superior (DGES), que indicava já terem sido despachados 62.631 processos: 47.529 deferidos e 15.102 indeferidos.

A Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL) questionou no início da semana os Serviços de Ação Social (SAS) sobre o funcionamento da plataforma mas, «até hoje de manhã, ainda não tínhamos nenhuma resposta», contou à Lusa João Pedro Vieira, presidente da AAUL, acrescentando que tinha conhecimento de «serviços de ação social onde as dificuldades se mantêm».

Os representantes dos estudantes lembram que existem alunos para quem as bolsas servem para pagar propinas mas também a alimentação ou a renda da casa: «Há instituições que estão a permitir aos estudantes não pagar a propina até que o processo fique concluído, mas em muitos casos essa propina serve para cobrir os gastos do dia-a-dia», lembrou Daniel Monteiro.

Questionado pela Lusa, o MEC explicou que estão a ser corrigidas as «lacunas» encontradas depois de uma primeira fase de recuperação do repositório dos documentos digitalizados, mas que continuam a ser “recebidos requerimentos, adicionados documentos, analisados processos, atribuídas novas bolsas e pagas as bolsas atribuídas”.

Entre 11 de dezembro e segunda-feira passada, «foram comunicadas aos estudantes 7412 decisões sobre pedidos de bolsas de estudo, 7407 das quais se referem a requerimentos apresentados antes daquele período», sublinha o MEC.

Naquele período, foram ainda «submetidos, acompanhados dos respetivos documentos, 138 novos requerimentos de bolsa de estudo, dos quais 83 em dezembro e 55 em janeiro».

Além disso, foram pagas bolsas a mais de 43.000 alunos num montante de cerca de 13 milhões de euros e, nesta terça-feira, «foram objeto de comunicação aos estudantes cerca de 1400 decisões».

O MEC diz ainda que haverá uma articulação entre os serviços envolvidos para tentar analisar «mais curto prazo» os processos.

«Foi hoje enviada informação atualizada aos SAS, a quem agradecemos a colaboração, pedindo desculpa a todos os estudantes pelos transtornos causados», concluiu o MEC em comunicado.