Os quatro estudantes da Universidade do Minho que quarta-feira sofreram ferimentos provocados pela queda de um muro em Braga já tiveram alta hospitalar, disse hoje à Lusa fonte do Hospital de Braga. O acidente matou três estudantes.

Os jovens sofreram ferimentos ligeiros, embora inicialmente se suspeitasse que um deles tivesse sofrido fraturas, o que não se confirmou. «O último teve alta cerca das 02:00», diz a mesma fonte.

Estudantes da Universidade do Minho relataram à Lusa que o muro cedeu após «uma guerra de cursos entre universitários de Engenharia Informática e de Medicina».

Segundo estes relatos, no seguimento de um despique amigável e das provocações entre os universitários dos dois cursos, os alunos de Engenharia Informática subiram pelas caixas de correio embutidas no muro, no topo do qual se encontravam os estudantes de Medicina, e a estrutura cedeu. Contactada pela agência Lusa, fonte da PSP disse que essa «é uma hipótese que está a ser investigada» pela polícia.

A peritagem aos escombros do muro que ruiu começou entretanto esta manhã, informou o presidente da Câmara. Segundo Ricardo Rio, o objetivo é averiguar as causas que poderão ter estado na origem do colapso.

A peritagem está a ser desenvolvida por elementos do Departamento de Engenharia da Universidade do Minho.

O autarca reiterou que «não tinha chegado à Câmara qualquer notificação» sobre o eventual mau estado do muro e também admite «haver dúvidas» sobre a propriedade do muro, uma questão que está a ser analisada pelos serviços municipais.

Trata-se de um pequeno muro, construído expressamente para servir de suporte a caixas de correio e essas caixas já estão desativadas «há bastante tempo».

Após o acidente, alguns moradores na zona disseram que «era visível» a inclinação do muro.

Muitos estudantes da Universidade do Minho rumaram durante toda a manhã ao local do acidente, deixando camisolas de curso, flores e outras homenagens às vítimas.

Ninguém quer dar a cara, que o assunto «é muito delicado», mas sob anonimato os alunos soltam desabafos e atiram críticas, em reportagem da Lusa.

«Ainda não acredito que isto aconteceu, parece impossível, um murinho daqueles matar três pessoas assim, sem mais. Parece impossível, é revoltante, é injusto», referia uma aluna. «O que mais revolta é que aquele muro não estava ali a fazer absolutamente nada. Se não servia para nada, porque não o tiraram dali?», questionava outro aluno.

(Artigo atualizado)